O Acre registrou 1.625 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) até o dia 13, conforme boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde (Sesacre) divulgado na quarta-feira (24). Esse é o maior número para o período (semanas epidemiológicas 1 a 23) dos últimos três anos, superando os 1.196 casos de 2025 e os 1.321 de 2024. O estado decretou situação de emergência em 3 de junho devido ao aumento de internações e 37 mortes até o fim de maio, medida válida por 90 dias.
Crianças e idosos lideram internações
Segundo a Sesacre, a curva epidemiológica cresceu ao longo do primeiro semestre, com pico na semana 22, quando houve 103 notificações em uma semana. Crianças de 2 a 4 anos lideram as internações, com 343 casos, seguidas por idosos com 60 anos ou mais (305 internações). Crianças de 5 a 9 anos somam 304 casos, e menores de 2 anos, 248 registros.
Rio Branco concentra notificações
Rio Branco registrou 669 casos (41,17% do total). Cruzeiro do Sul aparece com 243 casos (14,95%), seguido por Marechal Thaumaturgo (137), Feijó (125) e Mâncio Lima (81). A Sesacre explica que a capital concentra hospitais de referência e unidades privadas que notificam a maioria dos pacientes internados.
Hospital Infantil lidera notificações
O Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, em Rio Branco, registrou 430 casos, seguido pelo Hospital Regional do Juruá (Cruzeiro do Sul, 358 casos) e pelo Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco (Huerb, 169 casos). A rede estadual dispõe de 33 vagas pediátricas: 4 em UTI, 4 em Unidade de Cuidados Intermediários e 25 em enfermarias. Para adultos, há 13 vagas de UTI.
Mortes entre bebês aumentam
Desde o decreto de emergência, o número de óbitos em menores de 2 anos subiu de 7 para 9, o maior da série histórica para essa faixa etária. Em 2024 foram 3 mortes; em 2025, 5. Já as mortes entre idosos caíram de 67 (2024) para 15 (2026). Segundo a Sesacre, a mortalidade por Srag, antes concentrada em idosos, agora atinge mais crianças: 52% dos óbitos são em menores de 19 anos, contra 30% em idosos.
Rinovírus é o mais identificado
Entre as amostras analisadas, o rinovírus foi o mais frequente (149 detecções). Também circulam Influenza A, VSR, adenovírus, SARS-CoV-2 e metapneumovírus. As consultas por síndrome gripal caíram: 10.636 atendimentos (ante 12.743 em 2025 e 12.032 em 2024). A faixa de 20 a 29 anos foi a que mais procurou atendimento, mas todos os casos evoluíram sem gravidade.
Vacinação abaixo da meta
A cobertura vacinal contra influenza está abaixo da meta de 90% em todos os grupos prioritários: crianças de 6 meses a menores de 6 anos (41,02%), idosos (27,48%), gestantes (64,05%), indígenas (30,73%) e puérperas (2,6%). A Sesacre alerta que a baixa adesão contribui para internações, especialmente entre crianças e idosos.
Diferença entre doenças respiratórias
Resfriado: sintomas leves como coriza e tosse. Gripe (Influenza): febre alta, dores no corpo, tosse persistente. Bronquiolite (principalmente em bebês): chiado no peito e dificuldade respiratória. Em caso de falta de ar, respiração acelerada, lábios arroxeados ou recusa alimentar, procurar UPA ou pronto-socorro imediatamente.



