Na última quinta-feira, 9 de julho, 293 pinguins foram encontrados mortos em praias de Florianópolis, elevando para 2.210 o total de aves mortas desde março, segundo a Associação R3 Animal, responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na região. Apenas 148 pinguins foram encontrados vivos no período.
Praias com maior concentração de mortes
A Praia de Moçambique, no Leste da Ilha, concentrou o maior número de registros, com 106 pinguins mortos. Em seguida, a Praia dos Ingleses, no Norte, com 69. No mesmo dia, apenas seis pinguins foram resgatados com vida. Em 2025, a equipe de monitoramento já registrou mais de 2.700 pinguins, dos quais 2.615 estavam mortos.
Migração anual e causas das mortes
A migração dos pinguins-de-Magalhães em direção ao litoral brasileiro ocorre anualmente entre maio e junho. Fugindo do frio rigoroso, as aves deixam suas colônias na Patagônia Argentina e nas Ilhas Malvinas, seguindo correntes marítimas em busca de alimento. A exaustão da longa viagem leva muitos animais a sucumbir, especialmente os mais jovens.
Stella Ferrari, técnica de monitoramento do PMP-BS/R3 Animal, explica: "A maioria dos pinguins que encontramos são jovens, que estão em sua primeira migração e se perdem do bando devido à inexperiência. Eles encalham na praia já mortos ou debilitados, com sinais de hipotermia e caquéticos".
Fatores humanos agravam vulnerabilidade
Além do desgaste natural, fatores como poluição dos oceanos e captura acidental em redes de pesca aumentam a vulnerabilidade da espécie. A estimativa é que os pinguins continuem aparecendo na costa catarinense até setembro ou outubro, quando os sobreviventes iniciam o retorno às colônias.
Monitoramento e resgate
O monitoramento das praias de Florianópolis é feito diariamente pela R3 Animal. Animais mortos passam por triagem: dependendo do estado da carcaça, são encaminhados para necropsia para determinar a causa da morte. Aves vivas e debilitadas são levadas ao Centro de Reabilitação da R3 Animal para tratamento veterinário e posterior soltura.
A associação ressalta que o resgate só ocorre quando o animal está na faixa de areia. Pinguins nadando ou se alimentando próximos à costa não devem ser resgatados, pois é comportamento natural.
Orientações para banhistas
A R3 Animal orienta: não devolva o animal ao mar; não coloque o pinguim em contato com água ou gelo; não tente alimentá-lo; não toque nem faça carinho; mantenha animais domésticos afastados. Acione o resgate pelos telefones (48) 3018-2316 ou 0800 642 3341, disponíveis diariamente das 7h às 17h.



