Uma revisão de estudos publicada na revista 'Current Opinion in Pediatrics' revela que oito alimentos são responsáveis por 90% dos casos de alergia alimentar. Leite de vaca, ovos de galinha, soja, amendoim, nozes, trigo, peixes e mariscos lideram a lista dos mais alergênicos. A alergia alimentar é uma reação imunológica anormal do corpo, geralmente em pessoas geneticamente suscetíveis, às proteínas de certos alimentos.
Os sintomas mais comuns incluem manifestações gastrointestinais (diarreia e dores abdominais), cutâneas (coceira e eczema) e respiratórias (tosse e rouquidão). O estudo teve como objetivo atualizar o diagnóstico do problema, que vem crescendo globalmente, especialmente entre crianças. Nos Estados Unidos, o aumento foi de 18% nos últimos dez anos, segundo relatório dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças.
No Brasil, estima-se que de 4% a 8% das crianças e de 2% a 8% dos adultos sejam alérgicos. Médicos brasileiros também observam aumento nos casos, atribuído a fatores como maior acesso a exames, poluição atmosférica e estilo de vida mais higienizado. 'Hoje, a criança tem menos contato com bactérias que estimulariam o sistema de defesa', explica o pediatra e imunologista Victor Nudelman, do Hospital Albert Einstein.
Os alimentos que mais causam alergia variam conforme o país. Nos EUA, o amendoim é um importante causador na infância devido ao consumo de pasta de amendoim. Na Itália, a alergia ao trigo é comum pelo hábito de oferecer massas no primeiro ano de vida. No Brasil, o leite de vaca lidera as alergias no primeiro ano, afetando de 4% a 5% das crianças, seguido por soja, clara de ovo e milho.
O diagnóstico é basicamente clínico. Crianças que vomitam muito, têm diarreia ou eczema frequente, ou que não ganham peso adequado no primeiro ano, devem ser investigadas para alergia ao leite. É comum confundir alergia ao leite com intolerância à lactose, mas esta não é uma reação imunológica e sim a ausência de uma enzima que quebra o açúcar do leite. Os tratamentos diferem: intolerantes podem consumir pequenas quantidades de leite, enquanto alérgicos devem evitá-lo completamente.
A boa notícia é que 95% dos casos de alergia ao leite desaparecem quando a criança atinge dois ou três anos, provavelmente devido ao amadurecimento do sistema gastrointestinal, segundo o gastropediatra Mauro de Morais, da Universidade Federal de São Paulo. Ele observa ainda uma mudança no perfil da alergia: antes comuns quadros de diarreia, hoje aparecem mais crianças com colite alérgica e sangue nas fezes, sem explicação clara.



