Tarcísio comenta operação sobre Wi-Fi e critica tarifa dos EUA
Tarcísio fala sobre operação Wi-Fi e tarifa dos EUA

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou nesta terça-feira (2) sobre a operação da Polícia Civil que apontou indícios de sobrepreço na execução do programa WiFi Livre SP. Durante visita a Rio Claro (SP), ele afirmou que a polícia tem autonomia para investigar e que a operação cumpriu demanda do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Declarações do governador

Tarcísio destacou que não interfere nas investigações policiais. "A operação da polícia é uma coisa que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado", disse. Ele também defendeu que a polícia agiu a pedido do MP-SP e que continuará sendo uma instituição a serviço do Estado.

Na mesma ocasião, o governador criticou a proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida pode prejudicar a economia brasileira e contrariar princípios históricos do desenvolvimento norte-americano. "Isso não faz o menor sentido. Vai numa linha contrária ao que foi a linha da prosperidade americana ao longo do tempo, porque a prosperidade americana foi construída em cima do mercado livre, do mercado aberto, do mercado competitivo, inovador, do sistema financeiro forte", afirmou.

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Entenda a operação sobre contrato de Wi-Fi

Segundo representação do delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, a Prodam cobrava R$ 230 para instalar cada ponto de internet e R$ 306 por mês para manutenção, enquanto o contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) previa R$ 1.800 por ponto. O delegado apontou que o valor era pelo menos duas vezes superior aos preços praticados pela administração municipal. A investigação não mencionou se a mensalidade estava embutida no preço do ponto.

A Prodam, que atua na área de wi-fi, não participou do chamamento público, que teve o ICB como única participante. A prefeitura alegou que a parceria com uma organização social se justificava pela instalação em áreas vulneráveis, como favelas e comunidades, exigindo experiência social.

Na segunda-feira (1º), a operação cumpriu mandados de busca e apreensão no ICB, suspeito de fraude em contrato de R$ 108 milhões por ano com a Prefeitura de São Paulo. O instituto é propriedade de Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP, produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, "Dark Horse". Foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na prefeitura e na ONG. Sete mandados foram cumpridos em endereços ligados à empresária e na Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação.

O que diz Ricardo Nunes

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu Karina Gama, chamando-a de "decente" e "trabalhadora", e sugeriu "perseguição política" caso a investigação esteja ligada ao filme sobre Bolsonaro. Segundo Nunes, a contratação ocorreu após chamamento público de 30 dias, sem impugnações ou outras propostas. Ele afirmou que os 3.200 pontos de internet previstos estão instalados e funcionando, e que eventuais ilegalidades serão apuradas.

Nota da prefeitura

A Prefeitura de São Paulo informou que o Programa WiFi Livre funciona normalmente e que o Chamamento Público seguiu a Lei Federal nº 13.019/2014. Os apontamentos do Tribunal de Contas do Município em 2024 foram sanados. Sobre os repasses, destacou que os recursos são adiantados e fiscalizados semestralmente, com devolução de valores não comprovados: R$ 1,2 milhão em 2024 e R$ 930 mil em 2025.

A prefeitura negou que tenham sido repassados R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano (junho de 2024 a maio de 2025), foram R$ 69,12 milhões para 3.200 pontos a R$ 1.800 mensais cada. Após readequação, o valor por ponto caiu para R$ 1.280,80. De junho a dezembro de 2025, foram pagos R$ 24,59 milhões; de janeiro a dezembro de 2026, R$ 49,18 milhões. A prefeitura afirmou que os valores são inferiores a propostas de empresas privadas em 2022 (R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14).

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O que diz o MP

O Ministério Público investiga o contrato em duas frentes: Promotoria Patrimonial e Criminal. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social informou que há inquérito civil para apurar suposto direcionamento do chamamento público, ausência de justificativa técnica, aditamentos em sequência e repasses financeiros antecipados para serviços não implantados.