Sabesp triplica fiscais e adota IA em obras após explosão no Jaguaré
Sabesp triplica fiscais e usa IA após explosão no Jaguaré

Quase um mês após a explosão durante uma obra que deixou dois mortos e dezenas de imóveis danificados no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, a Sabesp anunciou que vai triplicar o número de fiscais e monitorar todas as obras por câmeras com inteligência artificial até o final de 2026. O acidente evidenciou a necessidade de ir além das exigências previstas nas normas técnicas, de acordo com o presidente da companhia, Carlos Piani.

Revisão de protocolos após tragédia

“Mesmo adotando e seguindo toda a legislação vigente, infelizmente um acidente trágico ocorreu. Então vimos a necessidade de fazer mais do que estava previsto na legislação”, disse o executivo em entrevista ao Estadão nesta terça-feira, 2. No dia 25 de maio, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado (Arsesp) já havia anunciado a criação de uma força-tarefa para fiscalizar obras subterrâneas das concessionárias em São Paulo.

A explosão no Jaguaré aconteceu no dia 11 de maio, provocando as mortes do segurança Alex Fernandes Nunes, de 49 anos, e do pintor autônomo Francisco Bondemba da Silva, de 57, além de deixar marcas de destruição na Comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, no Jaguaré. Segundo a Defesa Civil, 16 casas foram interditadas definitivamente e outras 22 sofreram interdição parcial. Uma área de aproximadamente 2 mil m² foi destruída total ou parcialmente.

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Obras interrompidas e novas medidas

Após a tragédia, a companhia decidiu interromper 33 obras consideradas de maior risco, que combinavam perfuração subterrânea pelo método HDD (Horizontal Directional Drilling) e proximidade com redes de gás. A paralisação ocorreu antes mesmo da conclusão da perícia oficial. A principal alteração anunciada envolve justamente as obras próximas a gasodutos. A chamada “zona de atenção”, usada para mapear interferências subterrâneas antes das perfurações, passará de um para três metros de cada lado da futura tubulação.

Além disso, a Sabesp promete ampliar sondagens, abrir pontos de inspeção para confirmação visual das redes existentes e tornar obrigatório o uso de georadar e equipamentos de detecção de gás. Outra frente anunciada é o aumento da fiscalização: o número de fiscais passará de 200 para 600 profissionais. A prioridade será acompanhar obras consideradas mais críticas, especialmente aquelas realizadas próximas a redes de gás. Piani argumentou que essas obras representam apenas 5% das 1.200 obras atualmente mantidas pela companhia no Estado.

Monitoramento por câmeras e inteligência artificial

A Sabesp também pretende expandir o uso de tecnologia para monitoramento remoto. A meta é que, até o fim de 2026, todas as obras sejam acompanhadas por câmeras ligadas a uma central de controle, onde sistemas de inteligência artificial analisarão as imagens em busca de desvios de segurança. O sistema será capaz de identificar situações como trabalhadores sem equipamentos de proteção ou falhas no escoramento de valas, por exemplo.

A companhia anunciou ainda a ampliação de programas de treinamento e certificação para equipes próprias e terceirizadas. A partir do próximo ano, a Sabesp pretende exigir certificações específicas para profissionais envolvidos em obras com perfuração subterrânea.

Causas sob investigação e apoio às famílias

As causas da explosão ainda estão sob investigação. Perícias e avaliações técnicas ainda estão em andamento. O governo de São Paulo, a Sabesp e a Comgás informam que atuam em conjunto no atendimento às famílias atingidas e no esclarecimento das causas da explosão. Famílias desalojadas por causa da tragédia conseguiram diferentes formas de atendimento: 14 famílias escolheram unidades habitacionais no Residencial Reserva Raposo e já receberam as chaves; 2 estão em fase final do processo; 2 optaram pela carta de crédito; 13 pela indenização monetária; 7 pela reconstrução; 2 pelo valor de mercado como indenização; as demais famílias ainda não escolheram melhor alternativa e continuam aguardando em hotéis ou imóveis alugados.

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