Toneladas de roupas de marca são resgatadas do deserto do Atacama e doadas gratuitamente
Toneladas de roupas de marca são resgatadas do deserto do Atacama e doadas gratuitamente

Cerca de 39 mil toneladas de roupas são descartadas ilegalmente todos os anos no deserto do Atacama, no Chile. Muitas dessas peças são de marcas famosas e ainda estão com etiqueta. Para combater esse desperdício, a organização brasileira Fashion Revolution Brasil, em parceria com a ONG chilena Desierto Vestido, está recolhendo as roupas abandonadas e doando-as gratuitamente.

As peças são coletadas, higienizadas e disponibilizadas em um site, onde podem ser escolhidas sem custo, pagando-se apenas o frete, que pode chegar a R$ 200. O transporte é feito por uma empresa que compensa a pegada de carbono gerada no processo. As últimas 300 unidades, que incluíam jaquetas, roupas esportivas, vestidos e jeans, esgotaram-se em cerca de cinco horas.

O deserto do Atacama se tornou um lixão tóxico da moda descartável. Anualmente, mais de 59 mil toneladas de roupas não vendidas chegam ao porto de Iquique, zona de importação livre de impostos. Parte é revendida ou contrabandeada, mas o que não tem saída acaba descartado ilegalmente no deserto. A indústria da moda é uma das mais poluidoras, e o consumo acelerado gera milhões de toneladas de resíduos têxteis.

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O tecido predominante é o poliéster, que leva cerca de 200 anos para se decompor, enquanto o jeans pode levar até 400 anos. A ação visa chamar a atenção para o problema e fazer o que as marcas se recusam: entregar gratuitamente o que não consideram lucrativo, em vez de descartar. A proposta também busca envolver a sociedade, mas reforça que a responsabilidade não é do consumidor.

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