Reitor da USP critica apatia de alunos e domínio de extremistas em greve
Reitor da USP critica apatia e extremismo em greve

Em entrevista a este jornal, o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Aluisio Augusto Cotrim Segurado, queixou-se de “uma certa apatia” dos alunos no que diz respeito à participação nas assembleias estudantis, como as que decidiram os rumos da greve que paralisa a universidade desde 14 de abril. Com isso, a maioria dos estudantes deixa o caminho livre para os extremistas, que ditam os rumos do movimento conforme sua agenda política, e não segundo os interesses do conjunto dos alunos. Não há pesquisas a respeito, mas é possível especular que a maioria dos estudantes queira o fim de uma greve que hoje não faz mais nenhum sentido, mas sua voz não está sendo ouvida.

Do relato de Segurado, depreende-se que extremistas que dominam as assembleias fabricaram uma crise na universidade, orquestraram o que chamam de “greve”, sequestraram as pautas legítimas da comunidade e calaram o debate, com objetivos exclusivamente políticos. Desde o início da paralisação, tudo já parecia armado. A intenção parecia ser a de interditar qualquer solução para a crise a fim de manter a aparência de mobilização dos estudantes que coincidisse com uma marcha até o Palácio dos Bandeirantes.

Negociações e demandas

O reitor diz ter aberto canais de negociação ao longo de 20 horas de reuniões. Segurado discutiu um plano de ampliação do transporte gratuito entre as unidades da capital paulista e de melhoria dos restaurantes universitários, dos espaços estudantis e das moradias estudantis – aliás, demandas justas. Ele propôs ainda reajustar pela inflação a bolsa de permanência concedida aos estudantes mais vulneráveis, de R$ 885 para R$ 912.

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Nas mãos de militantes profissionais, e não de alunos, a pauta virou uma faca no pescoço de Segurado. Eles passaram a exigir o pagamento de um salário mínimo paulista (mais de R$ 1.800) e informaram que a negociação só acabaria quando todas as reivindicações fossem integralmente atendidas, uma evidente impossibilidade. Como bem afirmou o reitor, “virou uma imposição, e não uma negociação”.

Estratégias de intimidação

E é à base da imposição de sua vontade que o grupelho vem pautando a greve e tutelando os estudantes. São as velhas estratégias violentas da esquerda que não condizem com o diálogo, a tolerância e a democracia: barricadas com cadeiras para impedir o acesso às salas, apitaços para tumultuar as aulas e assembleias esvaziadas em que uma minoria delibera pela maioria e a maioria é constrangida e silenciada.

Crise de participação

Há algo de errado quando só 200 dos 5 mil alunos da Escola Politécnica comparecem a uma assembleia ou quando só 6% dos estudantes votam para eleger seus representantes discentes em colegiados centrais da USP. Tudo isso revela uma crise de participação dos estudantes, que não se sentem motivados a eleger seus representantes justamente porque não se sentem representados, e uma crise de legitimidade do movimento estudantil, que, embora eleito, não fala pela maioria. A greve na USP, está claro, não é da maioria. A maioria não se forma pela coação, mas pela força dos argumentos. E apoio não se conquista pelo medo, mas pelo convencimento. A Medicina, o Direito e a Escola Politécnica já voltaram às aulas. Que os demais estudantes não se dobrem aos tiranetes.

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