O policial militar Luan Felipe Alves Pereira, flagrado em vídeo jogando um homem de uma ponte na Zona Sul de São Paulo no final de 2024, será julgado por júri popular. A decisão foi publicada no último dia 14 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O soldado é acusado de tentativa de homicídio.
As imagens, gravadas por uma testemunha, mostram o momento em que o PM ergueu e lançou Marcelo Amaral, de 25 anos, do parapeito da ponte na Vila Clara. O jovem caiu em um córrego e sofreu lesões na cabeça, mas sobreviveu. Segundo o promotor Vinicius França, o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, que só não morreu porque caiu de joelhos.
Luan chegou a ser preso durante a investigação da Corregedoria da PM, mas foi solto em abril de 2025 e responde ao processo em liberdade. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público em abril, tornando o PM réu. Tanto a Corregedoria quanto a Polícia Civil investigaram o caso; o Inquérito Policial-Militar foi encerrado em dezembro de 2024, e o inquérito civil em 14 de abril de 2025.
Em depoimento, Marcelo relatou que pilotava uma moto na Avenida Cupecê quando policiais começaram a correr em sua direção. Ele desceu do veículo e tentou fugir, mas foi agredido com cassetete na cabeça e nas costas. O soldado o levou pelo colarinho até a ponte e deu duas opções: saltar ou ser arremessado. Marcelo afirmou que não era ladrão e que a moto não era roubada, mas foi jogado mesmo assim.
A vítima contou que pessoas em situação de rua debaixo da ponte indicaram um caminho de fuga. Ele conseguiu carona até a UPA Santa Catarina. Marcelo disse que os policiais não pediram documentos nem perguntaram seu nome, e que não tem passagem pela polícia. Ele trabalha como manobrista na região da Avenida Paulista e dos Jardins.
O soldado Luan já havia sido indiciado por homicídio em 2023, após matar um homem com 12 tiros em Diadema, na Grande São Paulo. Na época, ele integrava as Rondas Ostensivas com Apoio de Moto (Rocam) do 24º Batalhão de Polícia de Diadema.



