O paraquedista Rafael de Oliveira Souza, de 44 anos, conhecido no meio esportivo como Tesouro, morreu no domingo (19) em decorrência de complicações causadas por uma pneumonia. Ele vivia e trabalhava em Boituva (SP), considerada a capital nacional do paraquedismo.
Trajetória no paraquedismo
Rafael descobriu o paraquedismo aos 20 anos, incentivado por um tio materno. Segundo o filho João Ortiz, em entrevista ao g1, o pai acompanhou o tio em um curso em Pindamonhangaba (SP) e decidiu fazer o curso também. Apesar de o tio ter interrompido o treinamento após um acidente de trânsito, Rafael persistiu e se formou como paraquedista.
Para investir na carreira, Rafael vendeu uma casa da família e viajou aos Estados Unidos para obter a certificação de instrutor. De volta ao Brasil, estabeleceu-se em Boituva, onde atuou como instrutor e formou dezenas de novos paraquedistas. "Depois que ele fez o curso, já ingressou na carreira, começou a fazer salto de cameraman... depois fez curso de salto duplo, de instrutor tandem, e depois a profissionalização de instrutor AFF", detalhou João.
Retorno ao esporte e perda do tio
Em 2021, Rafael retribuiu o incentivo recebido e participou da formação do tio Gil como paraquedista. No entanto, ainda em 2021, o tio morreu após um acidente durante um salto. Rafael assumiu a oficina mecânica do tio em São José dos Campos (SP) e abandonou temporariamente o paraquedismo. Mas não se adaptou à rotina e recebeu um convite para voltar a Boituva como instrutor e coordenador de uma escola de paraquedismo. "O paraquedismo foi uma salvação na vida dele. Tudo o que ele conquistou, tudo o que deu para mim, para minha mãe e para as minhas irmãs foi graças ao paraquedismo", afirmou João.
Doença e falecimento
João esclareceu que o pai não morreu em um acidente de paraquedas. Rafael começou a sentir dores após um pouso e acreditava ter fraturado uma costela. Dias depois, caiu de uma escada enquanto trocava uma lâmpada, mas não comentou o acidente com a família. Em menos de uma semana, apresentou sintomas de resfriado, que pioraram rapidamente. Foi diagnosticado com pneumonia, internado na UTI em Sorocaba, permaneceu 11 dias entubado e morreu de sepse pulmonar causada por pneumonia grave. Segundo João, os médicos acreditam que as dores na costela já eram os primeiros sinais da pneumonia.
Legado de pai para filho
João seguiu os passos do pai desde os 12 anos, trabalhando com paraquedismo. Aos 16, fez o curso de paraquedista ao lado de Rafael, que foi seu instrutor. "Isso aqui é a minha vida, era a vida do meu pai. Esse amor continua de pai para filho e, com certeza, vou passar isso para o meu filho", disse. O apelido "Tesouro" surgiu em uma viagem aos Estados Unidos, quando a esposa de Rafael disse a um amigo: "É que ele é meu tesouro, eu não consigo ficar longe dele". O corpo foi cremado. João pretende realizar um salto com as cinzas do pai e espalhá-las sobre a área de saltos de Boituva. "Pelo propósito do paraquedismo, pelo amor que ele tinha... eu acredito que ele gostaria de um 'último salto'", destacou.



