Redução de pontos de wi-fi livre em São Paulo
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou nesta terça-feira (2) que a gestão municipal optou por reduzir a quantidade de pontos de wi-fi livre previstos em um contrato de R$ 108 milhões, atualmente sob investigação da Polícia Civil por suspeita de desvios. Segundo Nunes, o contrato original estipulava a instalação de 5 mil pontos de conexão, mas apenas 3.200 foram efetivamente entregues e pagos pela prefeitura devido à falta de recursos.
“Os R$ 108 milhões eram para colocar os 5 mil pontos de wi-fi. A administração optou por colocar 3.200 porque não tinha recurso para colocar os 5 mil, e a gente pagou pelos 3.200. Nunca foi pago pelos 5 mil pontos”, afirmou Nunes a jornalistas após a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Vila Joaniza, Zona Sul da cidade.
Investigação policial e suspeitas de fraude
Na segunda-feira (1º), uma operação policial mirou a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e a ONG Instituto Conhecer Brasil, investigada por suspeita de fraude no contrato de fornecimento de internet gratuita nas periferias. De acordo com a polícia, o valor do contrato teria subido para R$ 157,1 milhões com aditivos assinados pela gestão Nunes. O delegado responsável também aponta que a prefeitura desembolsou R$ 26 milhões por serviços não prestados.
A investigação busca esclarecer se parte desses recursos foi desviada para financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O Instituto Conhecer Brasil é propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP, produtora do filme.
Defesa do prefeito
Durante a coletiva, Nunes negou irregularidades e afirmou que não houve aumento de valores, mas apenas prorrogação de prazos. Ele também rebateu as suspeitas de pagamento antecipado de R$ 26 milhões, explicando que a prática é comum em contratos com organizações da sociedade civil. “Você faz uma antecipação de uma parcela do valor porque eles não têm capital de giro, e na prestação de contas é feito o levantamento sobre aquele valor gasto ou não”, disse.
O prefeito negou direcionamento na contratação e afirmou que o edital ficou aberto por 30 dias, prazo maior que o usual. “Durante 30 dias só apareceu essa entidade, porque a complexidade do serviço é alta, o valor era baixo e não teve nenhuma outra entidade que quis participar”, argumentou Nunes. Ele ainda mencionou que a Prodam, empresa de tecnologia da prefeitura que cobra cerca de R$ 530 para instalar e fazer manutenção de pontos de wi-fi, declarou no processo que não possui estrutura para executar o serviço, citando a necessidade de atuação em áreas de difícil acesso.
Nunes concluiu afirmando que a administração municipal continuará colaborando com as investigações e tomará providências se alguma irregularidade for identificada.



