O Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma investigação para apurar possíveis irregularidades na área onde está sendo construído o novo aterro sanitário de Manaus. O órgão busca verificar se as obras estão ocorrendo sem as licenças ambientais necessárias e se representam risco ao meio ambiente e às comunidades do entorno.
A apuração teve início após o MPF receber informações de que o empreendimento estaria avançando sobre uma Área de Preservação Permanente (APP), onde existem nascentes, vegetação nativa e o leito do igarapé Matrinxã. Há indícios de aterramento e alterações nessas áreas sensíveis.
Moradores relatam que, desde o início das intervenções, a água de poços artesianos mudou de cor e cheiro, levantando suspeitas de contaminação. Famílias também afirmam ter notado aumento de insetos e animais peçonhentos na região. Outro ponto sob análise é a localização do aterro, que fica a poucos quilômetros do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, o que pode comprometer a segurança dos voos devido à atração de aves.
O MPF também quer saber se houve consulta pública ou comunicação adequada à população local sobre o projeto. Até o momento, não há registro de estudos detalhados sobre os impactos ambientais e sociais da obra. As primeiras medidas já foram adotadas, incluindo pedidos de informação a órgãos responsáveis, visitas técnicas e análise das condições ambientais do terreno.
A investigação foi aberta após representação formal do deputado federal Amom Mandel (Cidadania/AM), que apresentou um dossiê técnico apontando a execução de obras sem licenciamento em área de preservação. O g1 procurou a Prefeitura de Manaus para esclarecimentos, mas ainda aguarda retorno.



