O ex-ministro da Justiça Sergio Moro prestou depoimento no sábado à Polícia Federal e reiterou as acusações de interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF. Moro afirmou que cabe a Bolsonaro esclarecer os motivos de suas tentativas de ingerência no órgão.
Durante o depoimento, que durou oito horas, Moro entregou seu celular para que a PF extraísse cópias de conversas relevantes. No entanto, o ex-ministro só guardava diálogos dos últimos 15 dias, por receio de novos ataques hackers. As conversas entregues incluem trocas com Bolsonaro e com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).
Moro confirmou que uma das preocupações do presidente era com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele entregou cópia de uma conversa na qual Bolsonaro cita que a investigação contra aliados seria motivo para a demissão do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.
Os peritos da PF realizaram o espelhamento do celular de Moro e tentarão recuperar conversas mais antigas apagadas. O material será periciado e deve ajudar nas investigações do inquérito aberto pelo STF para apurar se Moro e Bolsonaro cometeram crimes no episódio.
O depoimento ocorreu sob clima de tensão, com protestos do lado de fora da PF. Moro foi chamado de 'traidor' por militantes bolsonaristas e demonstrava estar 'visivelmente abalado', segundo integrantes da PF que o conheciam desde a época da Lava-Jato.



