A repórter Thaís Barcellos, autora da série 'Pejotização do crime' em parceria com Eduardo Gonçalves, revela detalhes surpreendentes sobre a infiltração de facções criminosas na economia formal do Brasil. A investigação mostra como organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) expandiram suas operações para setores produtivos, causando perdas bilionárias.
Atuação diversificada das facções
De acordo com a apuração, as facções criminosas não se limitam mais ao tráfico de drogas ou roubos. Elas agora operam em usinas de cana-de-açúcar, empresas de apostas esportivas (bets) e outros negócios formais. Essa diversificação permite que o dinheiro ilícito seja lavado e integrado à economia legal, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Impacto na indústria nacional
O estudo aponta que a presença do crime organizado em setores estratégicos gera concorrência desleal e prejuízos estimados em bilhões de reais. Empresas legítimas não conseguem competir com os preços baixos praticados por organizações que não pagam impostos e exploram mão de obra em condições irregulares.
- Usinas de açúcar e álcool: facções controlam unidades produtivas, desviando recursos e utilizando-as para lavagem de dinheiro.
- Apostas esportivas: plataformas de bets são usadas para movimentar grandes quantias sem transparência.
- Setor de transportes: empresas de logística são cooptadas para escoar produtos ilegais.
Dinheiro digital como facilitador
Thaís Barcellos destaca que o uso de criptomoedas e sistemas de pagamento digital tornou mais fácil para as facções realizarem transações anônimas. 'O dinheiro digital permitiu que o crime organizado se modernizasse e se tornasse ainda mais difícil de ser combatido', afirma a jornalista.
Desafios para a investigação
A série de reportagens exigiu meses de apuração, com acesso a documentos sigilosos e entrevistas com fontes do sistema judiciário e da segurança pública. 'O que mais me surpreendeu foi a capilaridade dessas organizações. Elas estão em todos os lugares, desde pequenas cidades até grandes centros urbanos', revela Barcellos.
O líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola, está preso desde 1999, mas a facção continua operando graças a uma estrutura hierárquica que se adapta às mudanças. A investigação mostra que, mesmo atrás das grades, Marcola mantém influência sobre as operações financeiras do grupo.
Consequências econômicas
Os prejuízos causados pela infiltração criminosa afetam diversos setores. A indústria nacional perde competitividade, o mercado de trabalho é distorcido e a arrecadação de impostos diminui. Além disso, a violência associada ao crime organizado afasta investimentos estrangeiros.
- Perda de arrecadação fiscal: estima-se que o governo deixe de receber bilhões em tributos.
- Desemprego: empresas legítimas fecham ou reduzem postos de trabalho.
- Corrupção: agentes públicos são cooptados para facilitar as operações criminosas.
A série 'Pejotização do crime' está disponível na íntegra no site do O Globo e traz um panorama completo de como as facções estão se infiltrando na economia formal e os desafios para combater esse fenômeno.



