Mais da metade dos cerca de 20 imóveis desapropriados para a construção do corredor de ônibus BRT Aricanduva, na Zona Leste de São Paulo, já foram desocupados, mas a maioria dos moradores ainda não recebeu as indenizações. Alguns tiveram que se endividar para alugar novas moradias, enquanto outros vivem de favor com parentes ou amigos.
A Prefeitura de São Paulo informou que todos os valores iniciais das indenizações, estimados em R$ 24,2 milhões, foram depositados em juízo. A liberação do dinheiro depende do cumprimento de exigências legais pelos moradores e de autorização judicial. Pela lei, o proprietário tem direito a 80% do valor antes da conclusão do processo, mas o acesso não é imediato.
Andrea Pignatari, que mora há 21 anos na Rua do Almirantado, tem mudança marcada para a próxima semana, mas ainda não recebeu nada. "Deram prazo para a gente sair, mas não pagaram nada", afirma. O comerciante Richard Policarpo, de 53 anos, deixou sua casa em março e gastou mais de R$ 10 mil com aluguel e caução, contraindo dívidas.
A empresária Eryka Lima acompanhou a saída dos pais idosos da casa onde viveram por quase 40 anos. "Eles saíram sob pressão psicológica. Minha mãe recebia mensagens quase todo dia sobre o oficial de justiça", relata. O aposentado Milton Camilo Alves, de 77 anos, desocupou sua casa após mais de duas décadas e agora mora de favor no apartamento da neta, enquanto aguarda a liberação dos R$ 500 mil da indenização.
O advogado Eduardo Schiefler, especialista em direito administrativo, orienta que os moradores que sofrerem prejuízos financeiros levem a situação ao processo judicial para tentar acelerar a liberação do dinheiro. A lei permite que o proprietário levante até 80% do valor depositado.



