Cézar Maurício Ferreira, dentista de 60 anos, foi encontrado morto na cela de uma delegacia em São José, na Grande Florianópolis, horas após ser detido por suposta embriaguez ao volante. O exame toxicológico, no entanto, confirmou que ele não havia ingerido álcool, contrariando a alegação inicial dos policiais.
Natural de Ponta Grossa (PR), Cézar era servidor concursado do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC) e atuava na Coordenadoria de Saúde. Segundo o Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-SC), ele se formou em odontologia e se mudou para Florianópolis em 1988, onde construiu carreira como especialista em dentística restauradora. Também serviu como segundo-tenente na Marinha do Brasil e deixa dois filhos.
O acidente ocorreu na noite de 18 de julho. A Polícia Militar informou que, durante a abordagem, os agentes identificaram sinais de alteração psicomotora e odor etílico, levando à prisão por suspeita de embriaguez ao volante. O laudo toxicológico, porém, apontou a presença de analgésico, antibiótico, relaxante muscular e medicamentos para diabetes, depressão e problemas cardíacos, mas nenhum traço de álcool.
A causa da morte foi arritmia cardíaca, provocada por cardiopatia hipertrófica. O advogado da família, Wilson Knoner, afirmou que Cézar estava sofrendo um infarto agudo e não foi socorrido adequadamente. A Polícia Civil, em coletiva de imprensa, informou que não encontrou indícios de negligência policial, mas adotará novos protocolos de atendimento após o caso.



