A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação para apurar a origem de vazamentos de informações sigilosas extraídas de celulares apreendidos durante as investigações contra ele. De acordo com os advogados, o espelhamento dos dados dos aparelhos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março, e o HD com o material foi imediatamente lacrado na presença de autoridade policial, advogados e um tabelião para preservar o sigilo.
Apesar disso, mensagens supostamente retiradas desses celulares começaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, inclusive pela Folha, mesmo sem que a defesa tivesse acesso ao conteúdo. Os advogados afirmam que entre as informações publicadas estão conversas íntimas e pessoais, além de supostos diálogos com autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo a defesa, os trechos divulgados são provavelmente editados e tirados de contexto, expondo também terceiros sem relação com os fatos investigados.
Diante disso, os advogados pediram a instauração de um inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a lista de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos. A defesa ressalta que o objetivo não é investigar jornalistas ou terceiros que receberam as informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
Vorcaro foi preso novamente na quarta-feira (4) em uma nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A prisão preventiva foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF. A investigação apura suspeitas de fraude financeira, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e tentativa de obstrução de investigações. Segundo a PF, o ex-banqueiro teria mantido um grupo chamado 'A Turma', que funcionaria como uma milícia privada para monitorar e intimidar desafetos.
Mensagens encontradas no celular do empresário também indicariam a intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação. Nos últimos dias, vieram a público diálogos atribuídos a Vorcaro em que ele relata à então namorada encontros com políticos, empresários e integrantes do Judiciário. Em uma das conversas, ele afirma que iria se encontrar com o ministro Alexandre de Moraes, que não se manifestou sobre o caso.



