A COP30, realizada em Belém, encerrou neste sábado (22) com um acordo que excluiu o plano defendido pelo presidente Lula para reduzir o uso de combustíveis fósseis. O documento final, chamado de decisão de mutirão, foi aprovado após intensas negociações durante a madrugada e atendeu a interesses da Europa ao adotar uma redação branda sobre o aumento de recursos para adaptação climática.
O texto também trouxe um reconhecimento inédito da importância das comunidades afrodescendentes e dos territórios indígenas no combate às mudanças climáticas, além de mencionar questões de gênero. A decisão de mutirão foi uma estratégia da presidência da COP30 para reunir os quatro temas mais polêmicos: financiamento, metas de descarbonização, medidas unilaterais de comércio e relatórios de transparência.
O plano para acabar com o desmatamento também ficou de fora do documento final, apesar de esta ser a primeira COP realizada na Amazônia. O texto apenas menciona a importância de conservar, proteger e restaurar ecossistemas, incluindo esforços para deter o desmatamento até 2030. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou que o roteiro para o fim dos combustíveis fósseis será organizado como uma iniciativa brasileira ao longo do próximo ano.
O acordo abre uma brecha para essa iniciativa por meio da 'Missão Belém para 1,5°C', que envolverá as presidências das COPs de 2024, 2025 e 2026. Os diplomatas trabalharão para viabilizar a implementação das metas climáticas e planos de adaptação nacionais. Além disso, foi lançado o Acelerador Global de Implementação, em parceria com a presidência da COP31.
Em relação ao financiamento, o texto trouxe avanços tímidos, acordando que as nações deverão fazer esforços para ao menos triplicar o financiamento para adaptação climática. Os países em desenvolvimento continuam exigindo que as nações ricas cumpram o Acordo de Paris e liderem o fluxo de recursos, principalmente na forma de doações ou empréstimos a juros baixos.



