Trinta anos após o Massacre de Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, conflitos por terra seguem em larga escala no estado. Levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) aponta mais de 200 áreas em situação de disputa, envolvendo cerca de 20 mil famílias.
Em 17 de abril de 1996, 21 trabalhadores rurais sem terra foram mortos durante uma operação da Polícia Militar na PA-150, no trecho conhecido como "Curva do S" — 19 no local e dois dias depois no hospital. Outras 69 pessoas ficaram feridas.
Até os dias atuais, nem todas as famílias das 21 vítimas receberam indenização. Dos 155 policiais que participaram da operação, 153 foram absolvidos. Apenas dois comandantes foram condenados: o coronel Mário Pantoja, com pena superior a 200 anos, morreu em 2020; o major José Maria de Oliveira, condenado a mais de 150 anos, cumpre pena em regime domiciliar.
A data foi marcada por atos, marchas e homenagens organizadas por movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Milhares de pessoas caminharam mais de 70 quilômetros entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, refazendo o trajeto percorrido pelos trabalhadores em 1996.
Segundo a CPT, o Pará está entre os estados com maior número de conflitos agrários no país. Em 2023, ocupou a segunda posição no ranking nacional, atrás da Bahia. Em 40 anos, o estado registrou 59 conflitos com mortes, somando 317 trabalhadores rurais e lideranças assassinados; em apenas oito casos houve julgamento de responsáveis.



