Cenipa: falha no antigelo e erros humanos causaram queda da Voepass
Cenipa: falha no antigelo causou queda da Voepass

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado pela Força Aérea Brasileira (FAB), revela que a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrida em Vinhedo (SP), foi causada por uma combinação de falha no sistema antigelo e erros humanos. A aeronave, um ATR 72, caiu em 9 de agosto de 2024, matando todas as 62 pessoas a bordo.

Alarmes ignorados e hesitação na emergência

De acordo com o relatório, a tripulação enfrentou condições meteorológicas severas de formação de gelo, mas lidou com os alarmes intermitentes do sistema de detecção de gelo de forma inadequada. Os pilotos ativaram e desativaram o sistema antigelo repetidamente, sem seguir os procedimentos padrão. Além disso, hesitaram em declarar emergência, o que poderia ter permitido uma descida imediata para fora da camada de gelo.

“A tripulação ignorou alertas críticos e não declarou emergência a tempo, o que contribuiu para a perda de controle irreversível da aeronave”, afirmou o chefe da investigação, coronel Marcelo Moreno.

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Perda de controle e queda fatal

O relatório detalha que, após o acúmulo excessivo de gelo nas asas e superfícies de controle, o avião perdeu sustentação e entrou em um estol irreversível. A aeronave caiu em uma área residencial de Vinhedo, causando a morte de todos os ocupantes. O Cenipa destacou que o sistema antigelo, essencial para voos em condições de gelo, não foi utilizado de forma contínua, conforme exigido pelo manual da aeronave.

“Se os pilotos tivessem mantido o sistema antigelo ativado e declarado emergência, a tragédia poderia ter sido evitada”, completou Moreno.

Recomendações e medidas futuras

O Cenipa emitiu diversas recomendações de segurança, incluindo a revisão dos treinamentos de pilotos para situações de gelo severo e a melhoria dos sistemas de alerta das aeronaves ATR. A Voepass, em nota, afirmou que está colaborando com as investigações e implementará todas as recomendações do Cenipa.

O acidente do voo 2283 é o mais letal da aviação brasileira desde 2007, quando um Airbus da TAM colidiu com um prédio em São Paulo, matando 199 pessoas.

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