Uma carta que permaneceu oculta dentro de um confessionário por mais de 40 anos revela os relatos, angústias e anseios do carpinteiro que construiu o móvel. Atualmente, a peça está no museu de Palma Sola, município de 7,6 mil habitantes no Oeste de Santa Catarina, distante mais de 700 km de Florianópolis. No bilhete, deixado há mais de 60 anos, João Feix desabafa: "Já sou tão velho, com 60 anos, e ainda tenho que fazer confessionários".
Como a carta foi encontrada?
De acordo com o historiador do Museu da Colonização José Felício Jung, onde o confessionário está atualmente, a carta estava escondida em um baú próximo ao local onde os fiéis se ajoelhavam para se confessar. A mensagem foi ditada pelo carpinteiro e escrita por sua filha, Alice Feix Paetzold, hoje com 81 anos. O móvel tem mais de 60 anos.
O confessionário ficava em Anchieta e, em 2007, foi emprestado ao museu de Palma Sola. Na ocasião, foi desmontado e, por isso, a carta foi descoberta. O museu abriu em 2011 e possui um acervo com fotos e objetos que contam a história da colonização da cidade.
O que mais está escrito na carta?
A carta informa que o confessionário foi feito para a igreja matriz de Anchieta. Também menciona os governantes da época: o presidente da República Castelo Branco, o governador Celso Ramos e o prefeito de Palma Sola Libório Kuhn. Há ainda o relato do valor da moeda brasileira em comparação com o dólar americano e a libra esterlina na época. Por fim, termina com saudações: "Muita felicidade para todos. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo".
A história voltou à tona na segunda-feira (15) porque o confessionário será devolvido ao local de origem.



