A pernambucana Beatriz Ferreira Duarte celebrou 115 anos no domingo (21) ao lado de familiares e amigos, consolidando-se como a sexta pessoa viva mais velha do mundo e a segunda do Brasil, de acordo com a LongeviQuest, organização internacional que valida registros de supercentenários (pessoas com mais de 110 anos).
Trajetória e família
Nascida em Moreno, no Grande Recife, em 21 de junho de 1911, Beatriz construiu sua vida ao lado do marido Amaro Cipriano Duarte, já falecido. Atualmente, a família reúne três filhos vivos de um total de oito, além de sete netos, 12 bisnetos e dois tataranetos, um deles ainda em gestação.
No Brasil, apenas Yolanda Beltrão de Azevedo, alagoana que nasceu em 13 de janeiro de 1911, é mais velha que Beatriz. Ambas têm 115 anos, mas Yolanda nasceu antes. Mundialmente, cinco pessoas têm idade superior: Ethel Caterham (116 anos, Reino Unido), Naomi Whitehead (115, EUA), Lucia Laura Sangenito (115, Itália), Yolanda Beltrão de Azevedo (115, Brasil) e Shigeko Kagawa (115, Japão).
Validação e reconhecimento
A história de Beatriz chegou à LongeviQuest quase por acaso, após a publicação de uma foto sua nas redes sociais quando tinha 112 anos. A organização contatou a família, que reuniu e enviou a documentação necessária. A validação foi concluída em 12 de setembro de 2023.
A primeira bisneta de Beatriz, Yslla Duarte, disse ao g1 que, embora a bisavó não esteja mais lúcida desde os 107 anos, a família celebra o privilégio de conviver com ela. "Para a gente, é uma alegria imensa, é uma satisfação. A gente tem o privilégio de conviver com ela e aprendeu muito ao longo dessa caminhada, tanto os filhos como os netos e bisnetos. Hoje, de saúde, ela está muito bem. Ela não toma nenhuma medicação, é muito saudável, todas as taxas são boas. Agora, ela não está mais lúcida hoje. Ela esteve até os 106 anos", afirmou.
Comemoração e estilo de vida
Moradora de Jaboatão dos Guararapes, também no Grande Recife, Beatriz vive com uma das filhas. A festa de aniversário foi realizada na cidade, com cerca de 80 convidados, em um salão alugado. Segundo Yslla, a família costuma celebrar de forma simples em casa, mas em datas marcantes como 100, 105 e 115 anos, organiza eventos maiores.
"Nós fizemos a festa de 100 anos, depois comemoramos os 105, sempre com uma festa maior, chamando mais gente. Todo ano, a gente comemora, mas de uma forma mais simples, na casa dela mesmo. Este ano é uma data muito marcante, então preferimos chamar familiares e pessoas mais próximas. Foram cerca de 80 convidados. Alugamos um salão de festas para fazer a comemoração. Tudo muito simples, mas marcante. É uma data histórica", disse a bisneta.
Com o avanço da idade, Beatriz passou a precisar de acompanhamento diário para se alimentar e se locomover, utilizando cadeira de rodas. Ainda assim, mantém características marcantes de personalidade, como tranquilidade e destemor, segundo Yslla.
Memórias e ensinamentos
Yslla recorda cenas emblemáticas, como a habilidade da bisavó de derramar café quente no pires e levá-lo à boca sem se queimar, mesmo já idosa. "Ela derramava o café no pires, não era na xícara não, ela derramava no pires e levantava o café quente até a boca e se equilibrava. Isso a gente tá falando dela bem idosa mesmo. É uma cena que é emblemática para toda a família", relembrou.
Outra lembrança marcante é a serenidade com que Beatriz encarava a morte. "Outras coisas que ela dizia também, quando uma pessoa falecia, alguém próximo, às vezes a irmã dela mesmo, ela dizia é assim mesmo, ninguém fica para semente. Quem tem que morrer esse ano não morre para o ano", contou Yslla.



