A Polícia Federal indiciou o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), e outras quatro pessoas por vazamento de informações sigilosas para a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Bacellar foi apontado como líder do núcleo político da organização criminosa.
Segundo a investigação, Bacellar alertou o ex-deputado TH Joias sobre uma operação da PF contra o CV, realizada em setembro de 2025. TH Joias foi preso junto com um dos chefes da facção, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão. Este relatou que perguntou ao ex-deputado sobre a operação, e TH Joias respondeu com informações vazadas.
Os investigadores da PF apontam a existência de um 'verdadeiro estado paralelo' capitaneado por líderes políticos fluminenses, que vazam informações e inviabilizam operações contra facções. A principal força de Bacellar no esquema seria sua capacidade de interlocução com integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Rio.
O desembargador federal Macario Neto também foi citado no relatório enviado ao STF, mas não foi indiciado devido à Lei Orgânica da Magistratura. A PF afirma que ele tentou frear as investigações, buscando influência política. Imagens mostram Macario na recepção do escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer, em São Paulo, no dia 10 de dezembro, na esperança de que Temer acionasse o ministro Alexandre de Moraes para parar o processo. Temer confirmou o encontro, mas disse que não interferiu.
Bacellar chegou a ser preso em dezembro, mas foi solto menos de uma semana depois por decisão de parlamentares da Alerj. Atualmente, está licenciado do cargo de presidente da assembleia. Os indiciados respondem por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
A defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que não há provas sobre práticas ilícitas, apenas ilações, e que o indiciamento é descabido. O advogado de TH Joias nega a participação dele em atividades criminosas e diz que ele não teve acesso às informações.



