Anvisa autoriza retomada da produção da Ypê em Amparo após crise sanitária
Anvisa libera produção da Ypê em Amparo

Na noite da última sexta-feira, dia 29, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a retomada da produção da Ypê na unidade da Química Amparo, localizada no interior de São Paulo. Essa decisão representa mais um capítulo na crise que envolve a marca, uma das líderes no mercado nacional de higiene e limpeza, nos últimos 20 dias.

Entenda a cronologia da crise da Ypê

Novembro de 2025

O primeiro alerta sanitário envolvendo a Ypê ocorreu em novembro de 2025, após uma fiscalização na fábrica em Amparo. Na ocasião, os fiscais identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos fabricados naquele ano. Esse micro-organismo não é considerado altamente contagioso, mas pode representar risco para pessoas imunossuprimidas, sendo frequentemente associado a infecções hospitalares, especialmente pulmonares, e pode afetar pacientes com fibrose cística.

Segundo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), a inspeção encontrou falhas nas boas práticas de fabricação, incluindo problemas documentais e deficiências de higiene e limpeza nas áreas produtivas. Os fiscais relataram acúmulo de sujeira, poeira sobre máquinas e tubulações, além de condições inadequadas de limpeza dentro da unidade. As autoridades sanitárias passaram a investigar a origem da possível contaminação da água utilizada no processo produtivo. De acordo com o CVS, em episódios semelhantes registrados em outras empresas, problemas estruturais em sistemas de escoamento de esgoto chegaram a contaminar reservatórios de água usados na fabricação de produtos.

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Após essa primeira fiscalização, a Ypê realizou um recall voluntário de lotes específicos de produtos das linhas Tixan Ypê e Ypê Power Act. Foram incluídos no recolhimento os produtos: Lava Roupas Líquido Tixan Ypê versão Primavera (lotes 254031 e 193021), versão Maciez (lote 97021), Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Express nas versões Combate Mau Odor (lotes 176011, 228011, 205011, 203011 e 169011) e Cuida das Roupas (lotes 181011, 170011 e 220011), além do Lava Roupas Líquido Ypê Power Act (lotes 228031, 190021 e 223021). Na época, as informações constavam em uma página específica no site da empresa voltada ao recall. Atualmente, o endereço passou a concentrar informações sobre a nova decisão da Anvisa e os esclarecimentos da companhia.

Abril de 2026

Entre novembro de 2025 e abril de 2026, parte dos lotes produzidos pela empresa chegou a ser liberada após testes sanitários considerados satisfatórios. Segundo o CVS-SP, alguns produtos apresentaram resultados aparentemente adequados nas análises realizadas após a primeira intervenção sanitária. No entanto, a situação mudou após uma nova inspeção conduzida entre os dias 27 e 30 de abril de 2026 pela Anvisa, pelo CVS-SP e pela Vigilância Sanitária de Amparo. Durante a fiscalização, foram novamente identificados indícios de contaminação microbiológica e descumprimentos considerados graves nas boas práticas de fabricação. De acordo com os fiscais, a unidade voltou a apresentar problemas de higiene e limpeza nas áreas produtivas, com acúmulo de sujeira no piso e poeira sobre máquinas e tubulações.

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7 de maio

Diante da reincidência, no dia 7 de maio a Anvisa determinou o recolhimento de produtos lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê, de todos os lotes com numeração final 1. A medida incluiu também a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos. As equipes relataram acúmulo de sujeira no piso, além de poeira sobre máquinas e tubulações, constatando descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade, conforme nota da Anvisa. O perigo, segundo a agência, era de risco à segurança sanitária, com possibilidade de contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos. A agência não informou quantas unidades de produtos precisariam ser recolhidas, mas a medida atingiu produtos fabricados entre abril e setembro de 2025, incluindo: Lava-louças Ypê Clear Care, Lava-louças com Enzimas Ativas Ypê, Lava-louças Ypê, Lava-louças Ypê Toque Suave, Lava-louças Concentrado Ypê Green, Lava-louças Ypê Clear, Lava-louças Ypê Green, Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor, Lava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas, Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac, Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha, Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green, Lava-roupas líquido Ypê Express, Lava-roupas líquido Ypê Power Act, Lava-roupas líquido Ypê Premium, Lava-roupas Tixan Maciez, Lava-roupas Tixan Primavera, Desinfetante Bak Ypê, Desinfetante de Uso Geral Atol, Desinfetante Perfumado Atol, Desinfetante Pinho Ypê e Lava Roupas Tixan Power Act.

8 de maio

No dia seguinte à decisão, a Ypê informou ter apresentado recurso à Anvisa, o que suspendeu os efeitos da decisão até avaliação colegiada pela agência. Alguns dias depois, no dia 13, a diretoria-colegiada da Anvisa analisaria o recurso, mas retirou o tema de pauta.

15 de maio

No dia 15, a diretoria colegiada da Anvisa decidiu de forma unânime negar o recurso da Ypê e manter a decisão que suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição dos produtos da empresa.

30 de maio

Na noite de sexta-feira, a Anvisa autorizou a retomada da produção na Química Amparo, que fabrica alguns produtos da Ypê. A agência também decidiu que produtos fabricados a partir de abril de 2026 com número de lote final 1 estão aptos para uso. Ainda assim, manteve a recomendação para que consumidores não utilizem lotes de produtos de limpeza da marca Ypê produzidos até março, ratificando a decisão de duas semanas atrás, tomada após constatar a contaminação de alguns deles. De acordo com o órgão, a atualização nas determinações ocorre porque a Ypê apresentou um plano de ação para cumprir os 76 requisitos sanitários identificados pela inspeção na fábrica no mês passado.