Toffoli retira sigilo de depoimentos de Vorcaro, ex-presidente do BRB e diretor do BC no caso Master
Toffoli retira sigilo de depoimentos de Vorcaro, ex-presidente do BRB e diretor do BC no caso Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo dos depoimentos prestados à Polícia Federal pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. A decisão atende a pedido do Banco Central.

Os depoimentos foram colhidos pela delegada Janaína Palazzo antes da acareação entre os empresários, no âmbito da investigação sobre fraudes financeiras. Nas oitivas, Vorcaro e Costa divergiram sobre a origem de créditos falsos repassados ao BRB pelo Master, que causaram prejuízo bilionário à instituição do Distrito Federal.

Durante a acareação, Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que as carteiras de crédito eram originadas por terceiros, e não pelo Master. 'A gente chegou a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria de terceiros', disse. Já Costa sustentou que, pelo seu conhecimento, os créditos haviam sido originados no Master.

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O ex-presidente do BRB explicou que a ligação direta com a consultoria Tirreno, que originou os créditos, só foi identificada entre abril e maio do ano passado, após análises técnicas apontarem um padrão documental distinto nos contratos. Ele afirmou que a detecção tardia ocorreu porque a identificação do originador final do crédito não costuma integrar os documentos usados nas análises de risco.

Para solucionar o impasse, Master e BRB realizaram uma ampla troca de ativos. Do total de R$ 12,7 bilhões, cerca de R$ 10,2 bilhões foram substituídos por novos créditos, com deságio médio de 30% aplicado pelo BRB. Vorcaro afirmou que a operação foi encerrada sem prejuízo ao banco público, mas Costa ponderou que ainda havia pendências formais e ativos que dependiam de avaliação final de preço quando o processo foi interrompido pela liquidação do banco.

Na decisão, Toffoli ponderou que a retirada de sigilo se restringe aos depoimentos e que o inquérito sobre o caso Master continua em segredo, até manifestação da Procuradoria-Geral da República.

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