Quarenta e um por cento dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam notar a presença do crime organizado no bairro onde vivem, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (10). O percentual equivale a 68,7 milhões de pessoas, considerando estimativas populacionais do IBGE.
O levantamento, intitulado 'Os gatilhos da insegurança', foi encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ouviu presencialmente 2.004 pessoas em 137 municípios nos dias 9 e 10 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Entre os que percebem a atuação criminosa, 43% a consideram 'pouco visível', 25% 'muito visível' e 21% 'visível'. Para 35% desses entrevistados, a presença do crime organizado influencia muito as regras de convivência no bairro; 26,5% veem impacto moderado e 19%, baixo. Ao todo, cerca de 42,2 milhões de pessoas vivem em contextos onde o crime organizado é percebido como força reguladora da vida local.
A pesquisa revela que 81% dos que veem o crime no bairro têm medo de ficar no meio de um confronto armado, 75% evitam determinados locais e 71% temem que um familiar se envolva com o tráfico. Além disso, 64% receiam represálias por denunciar crimes, 12,5% se sentem obrigados a contratar serviços indicados pelo crime organizado (como internet, energia ou água) e 9% afirmam ser coagidos a comprar produtos ou marcas específicas.
A percepção é maior nas capitais (56%) e regiões metropolitanas (46%), mas atinge 34% no interior. A diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, destaca que 'um terço da população do interior reconhece a presença desses grupos', o que acompanha a descentralização de facções como PCC e Comando Vermelho, presentes em todas as 27 unidades da federação e hegemônicas em 13 delas.



