A Polícia Civil indiciou 40 homens por participação em eventos relacionados à Farra do Boi, em Governador Celso Ramos, no Litoral Norte de Santa Catarina. A prática, de raízes culturais entre descendentes açorianos, associa o boi à figura do mal e ocorre principalmente na Quaresma.
O grupo foi indiciado pelos crimes de maus-tratos a animais e associação criminosa, após mais de um ano de investigação. A Polícia Civil apurou 22 ocorrências sobre o crime, algumas descobertas ao longo das apurações.
Entre os indiciados, foram identificados participantes, organizadores, financiadores, transportadores e vendedores dos animais, incluindo um vereador do município. A informação foi divulgada pela Polícia Civil na segunda-feira (16).
Durante a investigação, a delegacia descobriu grupos organizados para arrecadação de valores, chamadas 'vaquinhas', destinadas à compra de animais e ao pagamento de advogados e multas administrativas. A configuração de associação criminosa foi reforçada pela repetição de nomes na articulação de aquisição e transporte dos animais, com rateio de valores.
Conforme historiadores, a prática é antiga na região e está ligada às culturas latinas e tradições tauromáticas trazidas pelos colonizadores açorianos no século XVIII. O evento ocorre perto da Páscoa, relacionado ao término da proibição católica de consumir carne na Quaresma.
Em fevereiro, o governo de Santa Catarina lançou a Operação Quaresma para combater a prática, que é crime desde 1998. A lei estadual 17.902/2020 estabelece punições para os participantes.



