A forte ventania que varreu o Rio de Janeiro na noite de quarta-feira (29) deixou marcas profundas na cidade. Na manhã seguinte, quinta-feira (30), mais de 200 mil imóveis ainda estavam sem energia elétrica, segundo a concessionária Light. O trânsito operava com restrições em várias vias, e os transportes públicos enfrentavam atrasos e itinerários alterados.
Falta de luz atinge bairros inteiros
A Light informou que equipes trabalhavam desde a madrugada para restabelecer o fornecimento, mas a situação era crítica em bairros como Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Zona Sul. “Estamos com mais de 150 equipes em campo, mas a complexidade dos danos exige paciência”, afirmou o porta-voz da empresa, Carlos Mendes. Em alguns locais, a previsão de retorno da energia era de até 48 horas.
Os ventos, que chegaram a 90 km/h segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), derrubaram árvores e postes. Na Tijuca, uma árvore de grande porte caiu sobre a rede elétrica, interrompindo o serviço para cerca de 5 mil residências. Na Barra, cabos de alta tensão foram arrancados, deixando o shopping e hospitais da região no escuro por horas.
Trânsito com restrições e vias bloqueadas
A Prefeitura do Rio decretou ponto facultativo para reduzir o fluxo de veículos, mas ainda assim o trânsito foi intenso. A Avenida Brasil registrou congestionamento de 15 km no sentido Zona Oeste, com interdições em trechos por queda de galhos. Na Linha Amarela, uma das principais vias expressas, o tráfego foi parcialmente bloqueado perto da saída para a Ilha do Governador.
“Recomendamos que as pessoas evitem sair de casa se não for absolutamente necessário”, disse o secretário municipal de Transportes, Rafael Pereira. A CET-Rio montou um esquema especial com semáforos em modo manual em 20 cruzamentos críticos. Cerca de 300 agentes de trânsito foram mobilizados para orientar motoristas.
Transportes públicos sofrem com atrasos e lotação
Os ônibus municipais operaram com frota reduzida – cerca de 70% da capacidade normal – devido a vias bloqueadas e falta de energia em garagens. A Supervia, operadora de trens metropolitanos, registrou atrasos de até 40 minutos em ramais como o de Santa Cruz e Japeri. No metrô, a linha 2 operou com intervalos maiores entre as estações.
Usuários reclamaram das condições. “Esperei mais de duas horas pelo ônibus na Praça da Bandeira. Perguntei ao motorista e ele disse que estavam desviando por causa das árvores caídas”, contou a comerciante Ana Lúcia. A Prefeitura disponibilizou transporte gratuito por aplicativo para idosos e pessoas com deficiência até as 18h.
Impacto nos serviços essenciais
Hospitais públicos como o Miguel Couto e o Lourenço Jorge receberam geradores para manter o atendimento. A Defesa Civil registrou 150 chamados para queda de árvores e 30 para alagamentos pontuais. Escolas municipais tiveram aulas suspensas em 40 unidades devido a falta de luz ou danos estruturais.
A previsão para os próximos dias é de tempo instável, com possibilidade de novas ventanias. A Light e a Prefeitura mantêm equipes de prontidão para emergências. Enquanto isso, os cariocas se adaptam à rotina de cortes e restrições, aguardando a normalização completa dos serviços.



