Uma menina de 3 anos, identificada como Alicia Mandu Leocadio dos Santos, morreu carbonizada na noite de domingo (2) após um incêndio atingir o andar superior de um sobrado no bairro Paecará, em Guarujá, no litoral de São Paulo. A irmã dela, de 7 anos, conseguiu escapar e foi socorrida com queimaduras na sola dos pés, permanecendo em observação no pronto-socorro.
Mãe monitorava filha por câmera
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, o padrinho da vítima, Hugo Santana, contou que a mãe acompanhava a menina dormindo por uma câmera de celular quando o incêndio começou. A família estava em uma festa quando Alicia sentiu sono e pediu para ir para casa. A mãe a levou, deixou as duas filhas dormindo e saiu para buscar o filho mais velho, de 10 anos.
“Ela ficou monitorando pelas câmeras e a nossa vizinha, que é familiar, olhando da casa dela. Ela reparou que a câmera sumiu a tela e acabou vendo que estava tudo preto. Nesse momento, ela sentiu e falou com a amiga dela: ‘Vamos em casa que está acontecendo alguma coisa’”, relatou Hugo.
Tentativa de resgate e comoção
Segundo o padrinho, a mãe correu para o imóvel, já tomado pelas chamas, e tentou entrar no quarto da filha, mas não conseguiu. “Ela entrou em desespero porque sabia que a filha estava dentro de onde veio ocasionar as chamas. Ela tentou entrar no quarto, mas não teve o contato, não conseguiu enxergar mais”, disse.
Hugo foi avisado por um bombeiro sobre a morte da menina. “[O agente] falou: ‘Preciso que você seja forte, preciso que você tire a sua irmã daqui, a sua sobrinha veio a óbito, ela se encontra lá na cama e está queimada’”, lembrou.
A prima da vítima, Flávia Santana, afirmou que Alicia era conhecida como Lica. “Uma menina maravilhosa, muito esperta, muito boa, e a gente não consegue entender. Queria que fosse só um pesadelo que acabasse. A gente não sabe mais agora o que vai ser de todos nós”, finalizou.
Falta de água dificultou combate
Moradores que controlaram as chamas tiveram dificuldade por falta de água na região. Segundo Flávia, os voluntários precisaram subir e descer escadas com baldes de água, atrasando o combate. “Talvez se tivesse água lá em cima [na casa], ajudaria bastante [...]. Lá não tinha uma gota de água”, lamentou.
A Sabesp, responsável pelo abastecimento, afirmou em nota que não tem registro de falta de água na região e que lamenta a morte, solidarizando-se com a família. A companhia também disse que mantém sistemas em operação e apoia o Corpo de Bombeiros quando necessário.
Bombeiros e investigação
O Corpo de Bombeiros informou que enviou cinco viaturas com 11 bombeiros ao local, mas as chamas já tinham sido extintas por moradores. As equipes realizaram resfriamento e rescaldo. A Defesa Civil interditou preventivamente a residência e um engenheiro municipal fará vistoria em 72 horas.
Flávia acredita que o fogo pode ter sido causado por curto-circuito, pois uma árvore caiu na região dias antes e a casa apresentava problemas elétricos. “A casa estava com as luzes piscando”, disse. A mãe não prestou depoimento devido ao estado de comoção. A irmã de 7 anos foi medicada e permanece em observação.



