Na tarde desta quarta-feira, a chegada de uma frente fria ao litoral do Sudeste provocou fortes impactos no Rio de Janeiro, com ventos intensos, interrupção do fornecimento de energia elétrica e paralisação total do transporte público. O prefeito Eduardo Cavaliere usou as redes sociais para pedir que a população evite deslocamentos não essenciais e se proteja em áreas abertas, longe de marquises e árvores.
Ventos de até 74 km/h e estragos generalizados
De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura, o Aeroporto do Galeão registrou ventos de 74,1 km/h, com previsão de rajadas que podem ultrapassar 90 km/h entre esta quarta e quinta-feira. Quatro voos foram desviados devido às condições adversas. No Aeroporto Santos Dumont, houve um apagão por volta das 16h40. Todas as regiões da cidade tiveram registros de ventos fortes, além de quedas de árvores e sinais de trânsito apagados.
Na Rua Riachuelo, na Lapa, uma árvore caiu na esquina com a Rua Frei Caneca, deixando a via às escuras. Comerciantes e pedestres buscaram abrigo dentro de lojas. Uma moça foi atingida pela tampa de uma caixa d’água enquanto passava próximo ao mercado Mundial. Na Avenida Infante Dom Henrique, galhos e pedaços de árvores caíram sobre a pista, e no Aterro do Flamengo, a terra levantada pelos ventos obrigou motoristas a fecharem as janelas. Próximo ao Jóquei Clube, na Zona Sul, a ventania levantou areia que pairava no ar, em cena que lembrava um bombardeio. Na Linha Vermelha, a poeira também reduziu a visibilidade.
Um posto de combustíveis na Praça da Cruz Vermelha, no Centro, teve parte de sua cobertura arrancada pelo vento. Na Rua Guilhermina Guinle, em Botafogo, um poste com placa de sinalização tombou. Árvores caíram em diversos pontos, como na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, e na Avenida Chile, no Centro.
Transporte público paralisado e caos nos deslocamentos
O metrô teve a circulação suspensa em todas as suas linhas. A assistente de RH Jamile Rodrigues, que tentava ir da Cinelândia até a Central para pegar um trem até Piedade, optou por um ônibus lotado. "Está bem assustador, ventou muito. Há caixas de ar-condicionado voando e árvores caídas. Pensei até em pegar o VLT, mas ele também está parado. Tem um trem, inclusive, empacado na estação Carioca", relatou.
Além do metrô, os trens, o VLT e as barcas também estão parados. A concessionária VLT Carioca informou que as linhas foram suspensas por interrupção no fornecimento de energia. Na Central do Brasil, a gare está lotada de passageiros à espera da normalização, com um aviso nas televisões: "Temporariamente não temos partidas de trens, devido as condições climáticas que atingem a Região Metropolitana". A ponte Rio-Niterói entrou em sistema de pare e siga.
Maria das Graças Abaranga da Silva, que voltava do trabalho em Botafogo, teve a viagem de metrô interrompida pela falta de energia. "Estamos morrendo de medo. Estou preocupada com meu filho, com meu neto. A gente só quer saber a hora que vai conseguir chegar em casa", desabafou.
Apagões afetam bairros e serviços
A Light informou que uma falha externa no sistema afeta o fornecimento de energia na Zona Sul, no Centro e na Tijuca. Moradores relataram falta de luz em bairros como Gávea, Laranjeiras, Cosme Velho, Catete, Jardim Botânico, Copacabana, Cidade Nova e Botafogo. A estação Dom Bosco do BRT, no Recreio, foi fechada temporariamente após o telhado ser danificado pelo vento. Na Zona Oeste, a estação Santa Veridiana teve embarques e desembarques interrompidos devido à queda de uma árvore na Estrada de Pedra.
Gláucia Nascimento Archer, que encontrou a estação Uruguaina do metrô fechada, comentou: "É tudo um caos. Todo mundo está com medo do vento, do que ele pode causar, e agora o transporte também virou um problema. Comentaram no trabalho que ia ventar, mas ninguém esperava que fosse nesse nível."
Preços de aplicativos disparam e cidade entra em estágio 2
Com o transporte público afetado, os preços dos carros por aplicativo dispararam: uma viagem de Ipanema à Lapa, que normalmente custa pouco mais de R$ 30, chegou a R$ 110 no fim da tarde. Às 16h50, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) colocou o município em Estágio 2, o segundo nível em uma escala de cinco, devido ao registro de ventos fortes e muito fortes e à previsão de intensificação das rajadas nas próximas horas. O Sistema Alerta Rio indicou que a aproximação de uma frente fria pelo oceano tem provocado o aumento da intensidade dos ventos. A previsão para o restante da tarde e da noite é de céu parcialmente nublado, sem chuva, mas com ventos variando de moderados a muito fortes. O estágio pode ser elevado caso as condições meteorológicas se agravem.



