Lagartas devastam milho em Noronha; único produtor colhe 10 mil espigas
Lagartas devastam milho em Noronha; único produtor colhe 10 mil

A safra de milho para as festas juninas em Fernando de Noronha foi severamente prejudicada pela infestação de lagartas, que destruíram grande parte das plantações. Apenas um agricultor, Josinaldo Dantas, conseguiu produzir em quantidade suficiente para abastecer o mercado local, colhendo cerca de 10 mil espigas.

Prejuízos generalizados entre os agricultores

A presidente da Associação dos Agricultores de Noronha, Lourdes Sampaio, que também é bióloga, explicou que as lagartas são uma das pragas mais severas enfrentadas pelos produtores. Segundo ela, os insetos chegam à ilha junto com alimentos transportados do continente. “Duas espécies de lagarta chegam à ilha dentro de alimentos, principalmente no próprio milho. Quando esses insetos chegam em Fernando de Noronha, muitas vezes são descartados no lixo. As lagartas que sobrevivem colocam ovos no meio ambiente e iniciam um novo ciclo. Tivemos um aumento significativo da quantidade de lagartas nas lavouras de Noronha”, afirmou.

O agricultor Walfredo do Nascimento Morais perdeu quase toda a produção. Ele esperava colher cerca de 500 espigas, mas conseguiu retirar pouco mais de 100. “Quando o milho está em fase de crescimento, a lagarta ataca. Este foi um dos piores anos. Ela apareceu em grande quantidade e comeu quase tudo. Consegui colher milho apenas para o consumo da minha família”, contou.

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José Ambrósio também teve prejuízo. “Plantei 40 quilos de sementes e esperava uma boa produção. Mas as lagartas devoraram tudo. Infelizmente, não tive produto para abastecer o mercado local durante as festas juninas”, disse.

Estratégias de combate à praga

Para proteger sua plantação, Josinaldo Dantas manteve o roçado limpo e utilizou óleo de neem, um produto natural no controle de pragas. “Quando a lagarta aparece, a gente aplica o óleo e ela desaparece”, afirmou. Lourdes Sampaio destacou que a calda bordalesa é uma alternativa permitida na agricultura orgânica. “A calda bordalesa pode ser utilizada no manejo da plantação. Outra alternativa é usar cinza de madeira misturada com detergente neutro e um pouco de bicarbonato. É um processo trabalhoso, mas pode ajudar a eliminar os ovos e reduzir a presença das lagartas”, explicou.

Milho garantido para as festas

Josinaldo iniciou a colheita na segunda-feira (22) e espera colher cerca de 10 mil espigas, suficientes para abastecer o mercado local. A espiga está sendo vendida por R$ 5. O agricultor também acredita que as cores verde e amarela do milharal trazem sorte para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. “O verde representa esperança. Esse é o milho para consumir no dia do jogo do Brasil, na quarta-feira (24). No São João, o certo é comer milho assado e assistir à turma correndo atrás da bola”, afirmou.

Tradição mantida pelos moradores

Os moradores não perderam tempo e começaram a comprar o milho para as comemorações de São João. “O milho é de Noronha e está muito bom. Vou fazer canjica e assar algumas espigas. No São João, milho é indispensável”, disse a camareira Marluce Silva. O condutor de visitantes Lupércio Souza também garantiu a compra. “O preço é um pouco alto, mas estamos em Fernando de Noronha. Festa junina combina com milho, e o produto está com boa qualidade”, afirmou. Antônio Cordeiro, também condutor, manteve a tradição: “O milho chegou na hora certa. Não podemos passar o São João sem canjica, pamonha e milho cozido. Faz parte da tradição.”

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