Arquiteta viraliza ao reformar jazigo da família em Pesqueira
Arquiteta viraliza com reforma de jazigo familiar

Uma arquiteta pernambucana viralizou nas redes sociais ao compartilhar um projeto inusitado: a reforma do jazigo da família. Ana Clara Lima, moradora do Recife, publicou no Instagram fotos, medidas e desenhos do mausoléu de seis gavetas localizado no cemitério de Pesqueira, cidade a 215 quilômetros da capital, no Agreste do estado.

Primeiro projeto após a graduação

Em entrevista ao g1, Ana Clara revelou que este é o seu primeiro projeto desde que concluiu a graduação em Arquitetura, após cerca de dez anos entre idas e vindas no curso. Atualmente fora da área e dedicada a concursos públicos, ela explicou que a reforma era um desejo antigo da família.

“Tem o lugar para nossa família no cemitério, mas está muito feio, muito esculhambado. Um tio meu tinha morrido e o coitado, na hora em que foram colocar o caixão dele, não coube. Teve que arrancar as alças do caixão para poder entrar. Um ano atrás também teve a morte da minha tia e, depois disso, a família começou a falar no grupo: ‘Meu Deus, a gente precisa reformar’”, contou.

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Projeto Minha Catacumba Minha Vida

Uma tia ficou à frente para organizar a reforma do espaço, que Ana Clara batizou de “Projeto Minha Catacumba Minha Vida”. A arquiteta, porém, acreditava que a ideia não sairia do papel até receber, no domingo (26), as fotos dos primos fazendo o levantamento das medidas no cemitério. Foi então que decidiu gravar o vídeo que acabou viralizando.

“A minha tia foi a cabeça dessa história de reformar e ficou pentelhando, e eu só deixando de lado. Ontem eles foram ao cemitério, fizeram a medição e me mandaram. Eu disse: ‘Não, eu vou gravar para ver o que rola’. E eu estou louca aqui porque não paro de responder mensagem”, afirmou.

Tradição familiar no cemitério

As fotos foram feitas enquanto a família estava reunida no cemitério. Segundo Ana Clara, visitar o local é uma tradição entre os parentes, especialmente quando familiares que moram fora da cidade estão em Pesqueira.

“Foi a missa de um ano da minha tia que faleceu e algumas pessoas foram para Pesqueira. E minha família tem uma tradição de sempre todo mundo ir ao cemitério. Num domingo, principalmente quando tem gente que mora fora por lá, a gente vai ao cemitério para dar uma passeada, acender vela. É uma tradição da família. O povo gosta de cemitério”, disse.

Detalhes do projeto

Para desenvolver o projeto, Ana Clara buscou referências na internet. A proposta é aproveitar a estrutura existente, revestindo-a com porcelanato fosco. As gavetas serão feitas em granito.

“São seis gavetas, e as quatro primeiras gavetas vão ficar para um tamanho de um caixão padrão. E as de baixo vão ficar para guardar ossos. E, como a gente não tem tanta grana assim, a ideia é fazer uma cotinha para todo mundo se juntar e poder executar, mas de forma que fique bonitinho, não fique o negócio feio que está hoje”, contou.

Ana Clara se surpreendeu quando enviou o arquivo para a família, que aprovou o projeto sem pedidos de alteração. “Eu achava que todo mundo ia ficar dando pitaco, mas na hora que eu enviei, todo mundo amou e disse que estava perfeito, estava ótimo do jeito que estava. Foi um milagre, porque eu achava que eu ia ter que ficar fazendo alteração, e eu sem tempo. Mas, de repente, todo mundo amou”, disse.

O projeto inclui seis gavetas: quatro para caixões padrão e duas para ossos. A família pretende dividir os custos, já que não dispõe de muitos recursos. O vídeo, que já ultrapassou milhares de visualizações, gerou uma enxurrada de mensagens para a arquiteta.

Repercussão nas redes

Desde a postagem, Ana Clara tem recebido inúmeras mensagens de apoio e até pedidos de orçamento. Ela pretende continuar na área de projetos, agora com mais visibilidade. O caso mostra como temas ligados à morte e ao luto podem gerar identificação e engajamento nas redes sociais.

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