Na manhã desta sexta-feira (10), um ponto brilhante cruzou o céu de Itapetininga (SP) e chamou a atenção de quem observava o horizonte. Não era uma estrela, avião ou OVNI: tratava-se da Estação Espacial Internacional (ISS), que pôde ser vista a olho nu durante sua passagem. O professor de física Rodrigo Raffa, responsável pelo Clube de Astronomia da cidade (Clube Centauri), registrou o fenômeno com seu telescópio a partir do bairro Shangri-lá, onde se posicionou desde as 5h da manhã para acompanhar o momento. O registro foi feito assim que a estação cruzou próximo à Lua.
Brilho intenso e conjunção celeste
“Se você olhasse para o céu, depois da Lua, ela era o objeto mais brilhante do céu. Hoje ela estava muito brilhante”, relatou Raffa ao g1. Nas imagens, é possível observar um risco formado pela ISS logo abaixo da Lua, que se encontrava em sua fase minguante. A estação está a cerca de 400 quilômetros de distância da Terra, segundo o especialista.
Essa não é a primeira vez que Raffa acompanha a passagem da ISS pelo céu de Itapetininga, mas cada ocasião é especial. “Cada vez é única, porque sempre tem alguma coisinha que é diferente. No caso de hoje, foi muito especial pela configuração. Eu estava com o telescópio, acordei 5h30 da manhã para acompanhar. Coloquei o telescópio e já comecei a fazer os meus registros. E quando ela passa embaixo da Lua, é maravilhoso”, contou. Para ele, acordar cedo e acompanhar esses momentos é feito por amor à astronomia.
Conjunção com a Lua e as Plêiades
Na passagem matinal, a ISS formou uma conjunção com a Lua minguante e o aglomerado estelar das Plêiades, conhecido como “Sete Irmãs”. A estação viaja a cerca de 28 mil km/h, transportando astronautas que realizam pesquisas científicas. “A Lua estará com apenas 22% de sua face iluminada, exibindo um delicado fino crescente. Logo abaixo dela estarão as Plêiades, um dos aglomerados estelares abertos mais belos do céu, composto por estrelas extremamente quentes e jovens, localizadas a aproximadamente 440 anos-luz do Sistema Solar”, explicou o professor.
O brilho intenso da ISS é explicado pela reflexão da luz solar em suas placas solares. “A gente está falando de uma estação que tem 100 metros de comprimento, então ali reflete muita luz. É diferente de outros satélites, que são bem menores do que ela. É mais fácil de observar, porque ela é muito grande. É o maior satélite que está em órbita na Terra”, esclareceu Raffa. O “desaparecimento” repentino da ISS ocorre quando ela escapa do brilho solar. “Às vezes, você está olhando para ela, está alta no céu e, de repente, o brilho some. Isso acontece porque a iluminação do sol parou de iluminar a parte que estava sendo refletida para baixo. Ela deve continuar iluminando-a, mas para outro lado”, completou.
Importância científica da ISS
Raffa ressaltou que visualizar a passagem da estação é importante devido ao seu valor para a ciência. “Eu trago muito essa questão de entender o que a gente está fazendo e compreender o todo, não só observar um pontinho. Vamos entender o que é esse ponto, compreender o que está por trás, quem está ali dentro. Eu tenho que saber todas as informações”, reforçou.
A Estação Espacial Internacional é um laboratório científico que orbita a Terra a 400 km de distância desde o ano 2000. Foi criada por cinco agências espaciais: Nasa (EUA), Roscosmos (Rússia), ESA (Europa), JAXA (Japão) e CSA (Canadá). Sua estrutura tem aproximadamente 110 metros de largura. “Ela tem controle mundial e vários países podem mandar astronautas para lá. Inclusive, o nosso astronauta brasileiro, o Marcos Pontes, quando foi para o espaço, ele foi justamente para a Estação Espacial”, lembrou Raffa.
Na ISS, são realizados experimentos científicos em microgravidade, estudos de radiação e observação de como a vida se comporta no espaço. “Eles levam insetos, levam plantas, já plantaram algumas mudas no espaço, então, é um laboratório mesmo”, disse. A estação completou 25 anos e já recebeu mais de 270 astronautas de diferentes nacionalidades. Atualmente, sete astronautas (duas mulheres e cinco homens) ocupam o local há cerca de 150 dias.
Diferença entre satélite e estrela
Rodrigo explicou as diferenças entre satélites e estrelas. Enquanto as estrelas cintilam, os planetas possuem luz opaca e não piscam quando estão altos. “Os satélites e os aviões são mais dinâmicos, e seus movimentos são facilmente reconhecíveis, mas os aviões têm uma luz vermelha padrão, enquanto que a ISS e outros satélites possuem um brilho mais definido, sem luzes, com um movimento contínuo”, esclareceu.
Como localizar a ISS
Para encontrar a ISS nas próximas passagens, Raffa indica procurar um ponto brilhante se movendo de forma contínua no céu. A estação não pisca, diferentemente de um avião. A observação pode ser feita de qualquer ponto de Itapetininga, desde que as condições climáticas ajudem. “Se o tempo colaborar, com poucas nuvens no momento da passagem, os itapetininganos conseguirão apreciar com muita visibilidade o fenômeno.”
Outra forma de localizar a estação é usar aplicativos que indicam a passagem da ISS. O Clube Centauri tem uma plataforma voltada para a região de Itapetininga, que informa as passagens visíveis nos próximos dez dias.



