A Ecodust Ambiental defende que os resíduos sólidos devem ser considerados parte da infraestrutura estratégica do Brasil, argumentando que o tratamento adequado pode gerar energia, reduzir emissões e promover desenvolvimento sustentável. A proposta foi apresentada durante evento do setor, com base em dados que indicam que o país produz cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano, dos quais apenas 4% são reciclados.
Resíduos como recurso energético
Segundo a empresa, a transformação de resíduos em energia por meio de tecnologias como a digestão anaeróbica e a incineração com recuperação energética pode suprir até 5% da demanda elétrica nacional. “O Brasil tem um potencial enorme de gerar energia limpa a partir do lixo, mas falta visão estratégica para integrar esse recurso à matriz energética”, afirmou o diretor da Ecodust, Carlos Mendes.
Impactos ambientais e econômicos
A gestão inadequada de resíduos sólidos é responsável por 4% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, principalmente pela decomposição em lixões. A Ecodust propõe a eliminação de todos os lixões até 2030, substituindo-os por aterros sanitários com captura de biogás. Além disso, a reciclagem poderia gerar economia de R$ 8 bilhões anuais em custos de saúde e limpeza urbana.
Desafios regulatórios
A empresa destaca que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) precisa ser atualizada para incluir incentivos fiscais e linhas de crédito para projetos de tratamento de resíduos. “Sem um marco regulatório claro e atrativo, o investimento privado não virá”, disse Mendes. Atualmente, apenas 60% dos municípios brasileiros têm planos de gestão de resíduos, e muitos não saíram do papel.
Exemplos internacionais
A Ecodust cita casos como a Suécia, que recicla 99% dos resíduos e importa lixo de outros países para gerar energia. “O Brasil pode aprender com essas experiências, mas precisa adaptar as soluções à sua realidade”, concluiu o diretor. A empresa prevê que, com investimentos de R$ 30 bilhões em 10 anos, seria possível quadruplicar a taxa de reciclagem e reduzir em 50% as emissões do setor.



