Uma expedição realizada nas Ilhas Cagarras, no litoral carioca, retirou do fundo do mar uma rede de pesca abandonada que representava uma ameaça à vida marinha da região. Conhecidas como “redes fantasmas”, as estruturas continuam capturando peixes, tartarugas e outras espécies mesmo depois de perdidas ou descartadas pelos pescadores.
A ação reuniu mergulhadores, pesquisadores e ambientalistas em uma operação para remover uma rede localizada a mais de 30 metros de profundidade. O equipamento havia sido identificado há mais de um ano durante atividades de monitoramento do arquipélago. “A gente está com a missão de retirar uma rede fantasma que ficou presa no fundo do mar e foi identificada por um pesquisador há mais de um ano”, explicou Caio Salles, gerente de comunicação do Projeto Ilhas do Rio.
O grupo partiu da Baía de Guanabara em direção ao Monumento Natural das Ilhas Cagarras, uma das áreas marinhas protegidas mais importantes do litoral carioca. Após localizar a rede presa às rochas, os mergulhadores utilizaram boias para levar o material até a superfície.
Armadilha silenciosa no fundo do mar
Além da rede, a equipe encontrou diversos resíduos acumulados no fundo do mar. Entre os objetos retirados estavam garrafas, latas, óculos e até uma vara de pesca. Tatiana Ribeiro, gestora do Monumento Natural das Ilhas Cagarras, acompanhou a ação de preservação ambiental no arquipélago. Segundo ela, cada rede removida reduz os riscos para os animais que vivem na região. “Cada rede dessa retirada representa animais a menos sendo mortos no fundo do mar”, afirmou.
Especialistas alertam que, além de aprisionar espécies marinhas, as redes fantasmas contribuem para a poluição dos oceanos. Produzidas com materiais plásticos, elas se degradam ao longo do tempo e liberam microplásticos na água.
Refúgio para a biodiversidade marinha
A iniciativa foi promovida pelo Copacabana Palace e pela organização ambiental Parley, em parceria com o Projeto Ilhas do Rio e o ICMBio. O surfista Pedro Scooby participou da ação e destacou a importância da conscientização ambiental. “Não é sobre mostrar que estamos limpando a natureza. É sobre conscientizar as pessoas”, disse.
Para Antonia Mascarenhas, diretora global da Parley, ações como essa ajudam a aproximar a população da riqueza ambiental existente no litoral carioca e reforçam a necessidade de preservar ecossistemas fundamentais para a biodiversidade e para a própria sobrevivência humana.
A retirada da rede faz parte de uma série de iniciativas voltadas à conservação das Ilhas Cagarras, que abrigam uma grande diversidade de espécies e são consideradas uma das principais áreas de proteção marinha do estado do Rio de Janeiro. A expedição removeu não apenas a rede, mas também outros resíduos encontrados no local, contribuindo para a saúde do ecossistema marinho.



