Reciclagem de figurinhas da Copa gera movimento nacional
Reciclagem de figurinhas da Copa gera movimento nacional

De quatro em quatro anos, junto com a Copa do Mundo, chega também o álbum de figurinhas, uma mania internacional que une crianças e adultos. No entanto, esse passatempo deixa um impacto ambiental que muitas vezes passa despercebido: o lixo gerado pelos pacotinhos e, principalmente, pelos liners — o papel de trás das figurinhas, que não pode ser reciclado de forma convencional.

O problema do liner

Após abrir os pacotinhos e colar as figurinhas, sobra o liner, um papel resistente revestido de silicone que inviabiliza o processamento normal nas recicladoras. Esse material está presente não só nas figurinhas, mas também em etiquetas, adesivos e rótulos. No Brasil, cerca de 3,8 mil toneladas de liner são descartadas por mês, o equivalente a 75% de todo o liner da América Latina. Desse total, apenas 350 toneladas são recicladas — menos de 10%.

Iniciativas de reciclagem ganham força

A Polpel, única empresa no Brasil especializada nesse tipo de reciclagem, viu a produção de resíduos de liner crescer durante os períodos de Copa. Em 2022, durante a Copa do Catar, uma pequena iniciativa da Natura, parceira da Polpel, coletou liners de figurinhas de filhos de funcionários e escolas, resultando em mais de um milhão de unidades enviadas à recicladora. Este ano, a expectativa é multiplicar esse volume: “Estamos esperando que o volume seja de 2 toneladas. Na última copa foram 230 kg”, afirma Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A Natura, por sua vez, lançou uma campanha de coleta de liners em suas lojas físicas, como parte de seu programa de logística reversa. Os clientes que participam ganham cupons de desconto. Sérgio Talocchi, gerente sênior de Cadeias Sustentáveis da Natura, explica: “A Natura tem como premissa transformar desafios socioambientais em oportunidades de negócio. E não é diferente neste caso, em que o liner das figurinhas não é um material amplamente reciclado e enxergamos o potencial de mobilização da sociedade neste tema.”

Além da Natura, centenas de colégios, shopping centers e empresas aderiram ao movimento. “Hoje são centenas de colégios, shopping centers, empresas… A gente já perdeu as contas”, relata Alves.

Movimento viralizou nas redes

Em 2026, a reciclagem de liners ganhou nova dimensão com a participação de pessoas físicas. Tudo começou com um vídeo da influenciadora Dani Skarb, que ensinou a forma correta de descarte e incentivou a organização de coletas para enviar à Polpel. Ela soube da reciclagem por meio de crianças da escola de seus filhos e resolveu gravar o conteúdo. “Pensei ‘eu tenho que fazer algo’. E aí, fiz o vídeo. Sabia que ele iria chegar em bastante gente pois são dois assuntos muito fortes: Copa e meio ambiente. Mas nunca pensei que com esse vídeo conseguiríamos movimentar o Brasil inteiro”, disse. “Sou marcada diariamente em dezenas de publicações de escolas e empresas pelo Brasil que estão se juntando nesse movimento! É lindo de se ver que juntos chegamos longe!”

Com a repercussão, a Polpel passou a receber liners também de pessoas físicas, não apenas de empresas. Ailton Alves destaca que as pessoas têm perguntado se podem enviar outros materiais, como restos de etiquetas e papel contact.

Campanha beneficente até agosto

Diante da grande participação, a Polpel criou uma campanha que vai até o dia 10 de agosto. Todo o lucro arrecadado com a reciclagem dos liners de figurinhas será revertido ao Graacc, entidade de apoio a crianças com câncer. “É impressionante como as pessoas têm essa disponibilidade de colaborar quando a causa é justa”, comenta Alves.

O processo de reciclagem

A Polpel foi fundada há 13 anos por Daniel Lauzid, que desenvolveu um método artesanal para reciclar o liner, após notar a dificuldade de processamento desse material. Atualmente sediada em Guarulhos (SP), a empresa recebe liner de parceiros de quase todo o Brasil. Após reciclado, o material é transformado em uma manta de celulose, que serve de base para novos papéis, retornando às empresas originais em outros formatos, seguindo o modelo de economia circular. Na Natura, por exemplo, o liner vira embalagens.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar