O Pará ocupa a segunda posição entre os estados brasileiros com maiores emissões de metano, gás considerado um dos principais superpoluentes do planeta devido ao seu alto potencial de aquecimento global em curto prazo. O tema ganha destaque no Dia Internacional do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira (5). A ONU aprovou no fim de maio uma resolução que acolhe o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça sobre as obrigações dos Estados no combate às mudanças climáticas.
Brasil é o quinto maior emissor de metano do mundo
O Brasil figura como o quinto maior emissor de metano globalmente e, apesar de ter aderido ao Acordo Global do Metano durante a COP 26, registrou um aumento de 6% nas emissões entre 2021 e 2024. No Pará, que perde apenas para Mato Grosso, a maior parte das emissões está vinculada à agropecuária. Esse dado ajuda a explicar por que o estado concentra municípios entre os maiores emissores do país, como São Félix do Xingu, Marabá, Altamira e Novo Repartimento.
São Félix do Xingu lidera em rebanho bovino
São Félix do Xingu, localizado no sudeste paraense, possui o maior rebanho bovino do Brasil desde 2014. O município aparece como um dos principais pontos de emissão de metano no país, reforçando a relação direta entre o tamanho da atividade pecuária e o impacto climático. Além do setor agropecuário, a gestão de resíduos também contribui significativamente para as emissões.
Resíduos sólidos agravam emissões em áreas urbanas
Em Belém e em cidades da região metropolitana e do baixo Tocantins, como Ananindeua, Barcarena, Cametá e Castanhal, a decomposição de lixo em aterros e lixões a céu aberto está entre as principais fontes de emissão de metano. O mesmo cenário se repete em municípios como Salinópolis, Afuá e Breves, onde a destinação inadequada dos resíduos amplia os impactos ambientais e climáticos.
Especialistas apontam soluções disponíveis
Especialistas indicam que há soluções já disponíveis para reduzir essas emissões, tanto no campo quanto na gestão de resíduos. Entre elas estão a ampliação da coleta seletiva, a compostagem, a captura e o aproveitamento do biogás, o fim dos lixões e a adoção de práticas mais sustentáveis na agropecuária. Em Marituba, na Região Metropolitana de Belém, uma usina de biogás opera no aterro local, alterando a classificação da principal fonte de emissão no município. No entanto, o problema da gestão de resíduos na região ainda não tem solução definitiva.
Novos aterros enfrentam resistência
Dois aterros sanitários estão em estudo para atender as cidades mais populosas do estado na região metropolitana: um no Acará e outro em Bujaru. As comunidades locais se opõem à instalação desses empreendimentos.
Governo estadual apresenta iniciativas
A Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) informou que atua na mitigação das emissões de gases de efeito estufa, incluindo o metano, por meio de políticas de ordenamento territorial, regularização ambiental, recuperação de áreas degradadas e incentivo a práticas produtivas sustentáveis, alinhadas ao Plano Estadual Amazônia Agora. Entre as principais iniciativas, destacam-se o Programa Regulariza Pará, que promove a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a recuperação de passivos ambientais, e o Programa Territórios Sustentáveis, focado na economia de baixo carbono. A Semas também mantém uma agenda de apoio aos municípios paraenses com ações de municipalização da gestão ambiental e capacitações técnicas.
O g1 solicitou posicionamento do Ministério do Meio Ambiente, mas ainda aguardava retorno até a publicação da reportagem.



