Pesquisadores usam OnlyFans para financiar estudos de marmotas após cortes
OnlyFans financia pesquisa de marmotas após cortes federais

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) encontraram uma forma inusitada de contornar os cortes federais na ciência: criaram uma conta no OnlyFans, plataforma conhecida por conteúdo adulto, para divulgar vídeos de marmotas e arrecadar doações. A iniciativa, batizada de 'OnlyMarms', já atraiu 112 inscritos e cerca de US$ 650 em gorjetas, valor ainda distante do necessário para manter os estudos de campo.

Epifania em um campo no Colorado

Em junho, o biólogo Daniel Blumstein estava sentado em um campo em Gothic, Colorado, aguardando a aparição de uma marmota. Enquanto lamentava a falta de financiamento para seu trabalho devido aos cortes federais, ele assistia ao programa 'Margo’s Got Money Troubles' (Margo Está com Problemas de Dinheiro). A trama, sobre uma mãe solteira que recorre ao OnlyFans para se sustentar, inspirou Blumstein: por que não aplicar a ideia às marmotas?

De volta ao laboratório, ele apresentou a proposta aos colegas, que tiveram reações mistas. Foi então que um aluno de pós-graduação sugeriu o nome 'OnlyMarms'. 'Será um conteúdo para todas as idades e não vamos sexualizar nada', disse Blumstein, professor da UCLA. 'Vamos apenas nos divertir compartilhando.'

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Como funciona o OnlyMarms

A conta publica vídeos de pesquisas sobre marmotas selvagens — roedores grandes, semelhantes a esquilos, com garras afiadas e orelhas peludas — cavando ninhos ou correndo sobre rochas. As assinaturas são gratuitas, mas os seguidores podem dar gorjetas, que são destinadas ao financiamento dos estudos de campo conduzidos por Blumstein e sua equipe.

Os pesquisadores monitoram o comportamento e as linhagens das marmotas para entender, por exemplo, como os mamíferos reagem às mudanças ambientais. O trabalho é realizado no Laboratório Biológico das Montanhas Rochosas, em Crested Butte, Colorado, que estuda as marmotas-de-barriga-amarela da região desde 1962.

Desafios e resultados iniciais

Blumstein enfrentou um obstáculo ao criar a conta: o OnlyFans exigiu uma foto de sua carteira de motorista para verificação, mas o sistema não reconheceu a semelhança entre o rosto do pesquisador e o das marmotas. 'A plataforma dizia: “Eu não me pareço com a marmota”, disse Blumstein. 'Todas as marmotas são menores, mas temos que fazer isso para a educação científica.'

Após um rápido esclarecimento por e-mail, a conta foi aprovada. A equipe da UCLA promoveu a página no Instagram, prometendo 'conteúdo de marmotas sem censura!'. Até o momento, a conta teve cerca de 2.900 visitas e 112 inscritos, gerando aproximadamente US$ 650 em gorjetas.

Apesar do valor ainda baixo, a membro da equipe Emily Renkey se mantém otimista. 'A maioria das pessoas doa cerca de 10 dólares, o que me indica que existe um interesse real e crescente no que estamos fazendo', afirmou em e-mail.

Contexto de cortes na ciência

A ameaça à pesquisa de Blumstein faz parte de uma ampla reforma governamental do financiamento federal nos Estados Unidos. O governo Trump demitiu funcionários de agências científicas, buscou cortes profundos em programas de pesquisa, cancelou bolsas e puniu universidades. Na semana passada, o conselheiro científico do presidente afirmou que o governo priorizará inteligência artificial, robótica e energia nuclear, reduzindo o foco nas 'ciências da vida'.

Blumstein e seus colegas usaram parte de seus fundos pessoais para manter o programa em funcionamento, além das verbas restantes, mas isso provavelmente não será suficiente. 'Não se pode simplesmente estudar os seres humanos para entender como e por que somos humanos', disse ele, acrescentando que duvida que o OnlyMarms consiga arrecadar as dezenas de milhares de dólares necessárias para financiar certas pesquisas.

Outros usos do OnlyFans na cultura

Blumstein e sua equipe não são os primeiros a usar o OnlyFans para conteúdo não explícito. A franquia de filmes 'Todo Mundo em Pânico' criou uma página para o vilão Ghostface, e desde 2023 o tenista australiano Nick Kyrgios utiliza o site para mostrar sua vida fora das quadras.

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Blumstein reconhece que, a menos que o OnlyMarms se torne um sucesso financeiro, o tempo investido poderia ser melhor aproveitado em pesquisa. 'É simplesmente frustrante', disse, observando que deveria estar dedicando tempo à escrita de artigos ou ao trabalho com alunos. 'Mas estamos fazendo isso, o que é meio bobo a longo prazo.'