Água desperdiçada no Brasil poderia abastecer 77 milhões de pessoas
Água desperdiçada abasteceria 77 milhões

Um estudo recente revelou que a quantidade de água desperdiçada anualmente no sistema de distribuição do Brasil poderia abastecer cerca de 77 milhões de pessoas. O dado alarmante evidencia a fragilidade da infraestrutura hídrica do país e a urgência de medidas para reduzir as perdas.

Perdas no sistema de distribuição

De acordo com a pesquisa, aproximadamente 38% de toda a água tratada no Brasil se perde antes de chegar às torneiras dos consumidores. Esse volume equivale a mais de 7,5 mil piscinas olímpicas de água desperdiçada por dia. As principais causas são vazamentos, ligações clandestinas e falhas na medição.

Impacto social e econômico

O desperdício tem consequências diretas na vida da população, especialmente nas regiões mais carentes. Enquanto milhões de brasileiros sofrem com a falta de água regular, o país perde recursos que poderiam garantir o abastecimento universal. Além disso, o desperdício gera prejuízos econômicos bilionários anuais, incluindo custos com tratamento e bombeamento de água que nunca é utilizada.

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Necessidade de investimentos

Especialistas apontam que a solução passa por investimentos maciços em infraestrutura, modernização das redes de distribuição e tecnologias de monitoramento. A troca de tubulações antigas, a instalação de medidores inteligentes e o combate a fraudes são medidas essenciais. O estudo estima que, com investimentos de cerca de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, seria possível reduzir as perdas pela metade.

Comparação internacional

O Brasil está muito atrás de países desenvolvidos em termos de eficiência hídrica. Na Alemanha, por exemplo, as perdas são inferiores a 7%, enquanto no Japão não passam de 5%. A meta para o Brasil, segundo o Plano Nacional de Saneamento, é reduzir as perdas para 25% até 2033, mas o ritmo atual de investimento indica que essa meta dificilmente será alcançada.

Desafios regionais

As perdas variam muito entre as regiões do país. No Norte e Nordeste, onde a infraestrutura é mais precária, os índices de desperdício chegam a ultrapassar 50%. Já no Sudeste, as perdas são menores, mas ainda significativas, em torno de 30%. A desigualdade reflete a falta de prioridade dada ao setor em décadas passadas.

Medidas urgentes

O estudo recomenda que o governo federal e as concessionárias adotem metas mais ambiciosas e criem mecanismos de financiamento específicos para o setor. A participação do setor privado, por meio de parcerias público-privadas, também é vista como uma alternativa para acelerar os investimentos. Além disso, a conscientização da população sobre o uso racional da água é fundamental.

Enquanto as medidas não saem do papel, o Brasil continua a perder um recurso cada vez mais escasso e valioso. A água desperdiçada poderia não apenas abastecer 77 milhões de pessoas, mas também impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país.

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