Brasil inclui fungos pela 1ª vez em lista oficial de espécies ameaçadas
Fungos entram pela 1ª vez em lista de espécies ameaçadas no Brasil

Pela primeira vez, os fungos passaram a integrar uma lista nacional oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil. A medida foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.696, de 28 de maio de 2026, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que reconhece 24 espécies da funga brasileira em diferentes categorias de risco.

Lista oficial e categorias de ameaça

De acordo com o artigo 1º da norma, "ficam reconhecidas como espécies da funga brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes da 'Lista Nacional Oficial das Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção'", que também informa o grau de ameaça de cada espécie. Ao todo, a lista reúne 21 espécies classificadas como Vulneráveis (VU) e três como Em Perigo (EN).

Espécies Vulneráveis (VU)

As espécies Vulneráveis incluem: Acanthocorticium brueggemannii, Amanita viscidolutea, Heteroradulum brasiliense, Austroboletus festivus, Wrightoporia porilacerata, Antrodia neotropica, Amauroderma renidens, Gloeocantharellus aculeatus, Coltricia permollis, Phylloporia minuta, Trichaptum fissile, Skeletocutis roseola, Meruliopsis cystidiata, Trametopsis brasiliensis, Laetiporus squalidus, Morganella austromontana, Gerronema viridilucens, Marasmius horridulus, Blumenavia crucis-hellenicae, Phallus aureolatus e Phallus glutinolens.

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Espécies Em Perigo (EN)

Já as espécies Em Perigo são: Tylopilus dunensis, Lactifluus marielleae e Sclerogaster araripensis.

Proteção integral e exceções

Além de oficializar a lista, a portaria estabelece proteção integral às espécies enquadradas nas categorias Extintas na Natureza (EW), Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU). Segundo o artigo 2º, essas espécies ficam protegidas por medidas que incluem "a proibição de coleta, corte, transporte, armazenamento, manejo, beneficiamento e comercialização". A norma prevê exceções para exemplares cultivados e licenciados, além de autorizar atividades voltadas à pesquisa científica, conservação e inventários ambientais, desde que haja autorização do órgão ambiental competente.

Atualização futura da lista

Outro ponto previsto na portaria é que a lista poderá ser atualizada. Conforme o artigo 4º, "poderão ser realizadas atualizações específicas na Lista a partir de dados atualizados de monitoramento e aporte de conhecimento científico sobre o estado de conservação das espécies".

Importância dos fungos para os ecossistemas

O biólogo Maurício Rodrigues destaca: "A inclusão histórica de 24 espécies da nossa funga – como o Lactifluus marielleae e outras espécies 'Em Perigo' ou 'Vulneráveis' – é mais do que um alerta, é uma medida de sobrevivência sistêmica. Proteger esses organismos de atividades como a coleta indiscriminada e o desmatamento não é apenas salvar um cogumelo; é garantir a preservação de processos ecológicos inteiros que dependem deles para continuar existindo." Embora pouco conhecidos pelo público, os fungos desempenham papel fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas. Eles participam da decomposição da matéria orgânica, reciclam nutrientes e estabelecem associações com as raízes de diversas plantas, contribuindo para a absorção de água e nutrientes e para a manutenção da saúde das florestas.

"Muitas vezes invisíveis aos nossos olhos, os fungos são os verdadeiros motores de reciclagem da natureza. A ciência nos mostra que, ao participarem ativamente da decomposição da matéria orgânica, eles garantem que os nutrientes não fiquem presos em organismos mortos, mas retornem ao solo. Sem esse trabalho contínuo, nossos ecossistemas entrariam em colapso, sufocados e sem nutrientes para sustentar novas vidas", finaliza Rodrigues.

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