A lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil aumentou de 774 para 790, segundo atualização divulgada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O crescimento é atribuído principalmente às mudanças climáticas, que alteram habitats e pressionam populações animais.
Arara-azul-grande entra na lista
Entre as novas inclusões está a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), que passou a ser considerada ameaçada. A espécie, símbolo do Pantanal, sofre com a redução de seu habitat natural e com eventos climáticos extremos, como secas e incêndios florestais.
Segundo o ICMBio, a avaliação considerou dados de populações, distribuição geográfica e projeções futuras. “O aumento reflete não apenas a perda de habitat, mas também os efeitos das mudanças climáticas, que agravam a situação de espécies já vulneráveis”, afirmou o diretor de Pesquisa do instituto, Marcos Reis.
Impacto no setor agrícola
A expansão da lista preocupa o setor agrícola, especialmente em regiões de fronteira agrícola, como o Cerrado e a Amazônia. Muitas das espécies ameaçadas dependem de ecossistemas que são convertidos para cultivo de soja, milho e pastagens.
Especialistas alertam que a perda de biodiversidade pode comprometer serviços ecossistêmicos essenciais, como polinização e controle de pragas. “A agricultura depende da natureza. Sem abelhas e outros polinizadores, a produtividade de culturas como café e frutas pode cair drasticamente”, explicou a bióloga Ana Paula Oliveira, da Universidade de Brasília.
Medidas de conservação
O governo federal anunciou a criação de novas unidades de conservação e a ampliação de programas de recuperação de espécies. No entanto, organizações ambientais criticam a lentidão das ações e a falta de integração com políticas agrícolas.
“É preciso alinhar a produção de alimentos com a conservação da biodiversidade. Isso inclui práticas como o plantio direto, a manutenção de corredores ecológicos e o uso racional de defensivos”, defendeu o representante do WWF-Brasil, Carlos Rittl.
O ICMBio reforça que a lista serve como alerta para a urgência de ações coordenadas entre governo, setor produtivo e sociedade civil.



