A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas os brasileiros já estão imersos no clima da competição com a febre dos tradicionais álbuns de figurinhas. Colecionados por torcedores de todas as idades, o sucesso das vendas é proporcional à quantidade de lixo gerada pelo descarte incorreto do papel liner, a base dos adesivos, que não segue o mesmo processo de reciclagem do papel comum.
Foi nesse cenário que a Polpel, empresa especializada no tratamento desse material, surgiu como solução para um problema cujas consequências durariam pelas próximas 25 Copas, já que o tempo de decomposição do liner é de aproximadamente um século. Atuando há 13 anos nesse mercado e sendo a única do país no nicho, a empresa ganhou popularidade por meio de um vídeo espontâneo nas redes sociais, conforme relata Ailton Alves, diretor-executivo.
— Este ano tem sido fora da realidade. Na verdade, esse movimento surgiu na Copa de 2022, mas não teve essa divulgação toda, não viralizou como agora por causa do vídeo da Daniele, do Mente Econômica, que já ultrapassou 5 milhões de visualizações. A proposta se espalhou de forma impressionante. Empresas, escolas, crianças, adultos, instituições diversas, até secretarias de governo de várias cidades estão engajadas. Está sendo uma loucura. Faz uma semana que não conseguimos dar retorno a todos no Instagram, WhatsApp, e-mail e ligações.
— Nenhum material é problemático. O problema é o destino — diz Ailton, enquanto explica a abrangência da atuação da empresa, que não recicla apenas o liner das figurinhas, mas também de etiquetas e rótulos, como os de xampus e condicionadores.
A empresa trata o papel com um processo próprio para transformá-lo em celulose, matéria-prima para embalagens e papel sulfite, por exemplo, devolvendo-o às empresas que destinaram o descarte à reciclagem.
— Uma das preocupações nessa campanha é que as pessoas começaram a demonizar o liner. Mas não é isso: o liner é necessário para todo tipo de etiqueta, inclusive na área médica, remédios… Ele não é o problema. O que precisa ser feito é o descarte correto, assim como com outros materiais, como a garrafa pet. O liner é reciclável. Fazemos isso há 13 anos, dando a ele um destino ecologicamente correto e economicamente sustentável — afirma o diretor.
O liner das figurinhas tem destinação específica, pois possui impressão colorida, como na Copa de 2022 (azul) ou na de 2026 (cinza). Dessa forma, podem ser encontrados em embalagens ou sacolas de papel. Na última edição do Mundial, foram coletados 230 kg de liner, o equivalente a um milhão de figurinhas, e a empresa estima que, neste ano, o impacto será dez vezes maior.
Logística para coleta e doação do valor arrecadado
Com as empresas que contratam o serviço, a coleta é feita por logística organizada pela Polpel, mas isso não se aplica necessariamente ao caso dos papéis de figurinhas. Devido ao baixo volume de material a ser coletado e à alta demanda, coletar em prédios ou escolas, por exemplo, inviabilizaria o projeto. Assim, os colecionadores ficarão responsáveis pelo envio para a sede da empresa, cujas informações estão no site www.polpel.com, assim como meios de contato.
— Recebemos e-mail de praticamente todos os estados brasileiros, e uma das coisas que as pessoas têm levantado, algumas escolas públicas, por exemplo, que querem participar, mas não têm recurso para mandar o material. Para viabilizar essa campanha, é preciso que enviem para a Polpel — explica Ailton.
Em agradecimento à adesão das pessoas, o diretor revelou que todo o valor arrecadado a partir da reciclagem do liner enviado até o dia 10 de agosto será destinado ao GRAACC, Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, em São Paulo, que receberá a doação como um presente de aniversário pelos 35 anos comemorados em 2026. A iniciativa se soma a ações anteriores da empresa, que já doou também para os Médicos Sem Fronteiras.



