Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado nesta quinta-feira (23) revela que crianças e adolescentes que vivem na Amazônia Legal estão significativamente mais expostos a riscos ambientais do que a média nacional. O estudo aponta que a exposição a desmatamento, queimadas e poluição do ar atinge níveis críticos na região, afetando a saúde e o desenvolvimento dos menores.
Dados alarmantes sobre exposição
De acordo com o Unicef, 84% das crianças e adolescentes da Amazônia Legal vivem em municípios com alto risco de desmatamento, contra 38% no restante do Brasil. Além disso, 73% estão expostos a queimadas frequentes, enquanto a média nacional é de 25%. A poluição do ar, medida pela concentração de material particulado fino (PM2.5), afeta 68% dos jovens na região, comparado a 31% no país.
"Os números mostram uma realidade preocupante. As crianças da Amazônia Legal estão crescendo em um ambiente com ameaças ambientais muito mais intensas, o que compromete seu direito a um desenvolvimento saudável", afirma Youssouf Abdel-Jelil, representante do Unicef no Brasil.
Impactos na saúde e educação
A exposição a esses riscos tem consequências diretas. O relatório aponta que as internações por doenças respiratórias em crianças menores de 5 anos na Amazônia Legal são 40% superiores à média nacional. As queimadas também contribuem para o aumento de casos de asma e bronquite. Na educação, 1 em cada 5 escolas na região fica em áreas de risco ambiental, o que pode levar à suspensão de aulas durante períodos de seca extrema ou incêndios.
"O desmatamento e as queimadas não afetam apenas o meio ambiente, mas a vida cotidiana das famílias. Crianças deixam de ir à escola por causa da fumaça ou perdem suas casas em incêndios florestais", destaca o relatório.
Desigualdade regional e recomendações
O estudo também evidencia a desigualdade: enquanto na região Sul e Sudeste os riscos ambientais para crianças são menores, na Amazônia Legal eles são agravados pela falta de infraestrutura e serviços básicos. O Unicef recomenda políticas públicas integradas que combinem proteção ambiental com investimentos em saúde, educação e saneamento para a população infantil. "É urgente que governos e sociedade atuem juntos para garantir um futuro sustentável para essas crianças", conclui Abdel-Jelil.
O relatório baseia-se em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Saúde e do IBGE, abrangendo o período de 2019 a 2024. A Amazônia Legal inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.



