Ciclone bomba pode trazer ventos acima de 100 km/h ao Sul e Sudeste
Ciclone bomba: ventos fortes e chuvas intensas no Sul

Meteorologistas monitoram a possível formação de um ciclone extratropical que pode se intensificar rapidamente entre quinta-feira (6) e sábado (8), afetando principalmente o Sul e o Sudeste do Brasil. Se a pressão atmosférica no centro do sistema cair de forma acentuada em um curto intervalo, o fenômeno pode ser classificado como um "ciclone bomba", elevando o risco de ventos fortes, chuvas intensas e queda brusca de temperatura.

O que é um ciclone bomba?

Um ciclone bomba ocorre quando uma área de baixa pressão se intensifica muito rapidamente, um processo conhecido na meteorologia como ciclogênese explosiva. Isso acontece quando massas de ar com características muito diferentes se encontram: de um lado, ar frio; do outro, ar mais quente e úmido. Essa diferença de temperatura organiza o sistema e favorece a formação da baixa pressão.

Quanto mais a pressão cai no centro do ciclone, maior é a diferença em relação às áreas ao redor, o que acelera o deslocamento do ar e pode deixar os ventos mais fortes. Três fatores explicam esse processo: o encontro entre ar frio e ar quente, a formação de uma frente fria e a queda rápida da pressão no centro do ciclone.

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Impactos previstos no Brasil

No caso previsto para esta semana, o centro do ciclone deve permanecer sobre o oceano. Por isso, os impactos em terra estarão ligados principalmente à frente fria, às linhas de tempestade e ao contraste entre o ar frio que avança pelo Sul e o ar quente que ainda predomina no Centro-Sul. Segundo os últimos modelos meteorológicos, as rajadas podem passar de 100 km/h em pontos do litoral e de áreas serranas de São Paulo e do Rio de Janeiro. No sul e no leste do Rio Grande do Sul, os ventos podem superar 91 km/h.

Esses ventos fortes podem causar estragos consideráveis, especialmente em áreas urbanas com rede elétrica aérea, árvores sem manejo e construções frágeis. A rapidez da intensificação é um dos principais fatores de risco, pois o sistema pode ganhar força em poucas horas, reduzindo o tempo de preparação para cidades, concessionárias de energia, portos e serviços de emergência.

Por que pode causar tantos estragos?

Os prejuízos não dependem apenas da força do ciclone, mas da combinação de vários fatores: tempestades ligadas a uma frente fria, grandes volumes de chuva sobre um solo já encharcado, ressaca e avanço do mar em áreas costeiras, queda de temperatura após a passagem do sistema e a vulnerabilidade das cidades. No Brasil, muitas vezes os efeitos mais graves não vêm do centro do ciclone, que costuma ficar sobre o oceano, mas das tempestades organizadas ao redor do sistema, capazes de gerar rajadas muito fortes, granizo e chuva intensa em terra.

A chuva também pode deixar o solo mais instável, aumentando o risco de deslizamentos e facilitando a queda de árvores. No litoral, o vento persistente sobre o mar favorece ondas maiores, a erosão da faixa de areia e danos em estruturas próximas à praia.

Ciclones bomba são comuns?

Ciclones extratropicais são fenômenos comuns nas latitudes médias, onde massas de ar frio e quente se encontram com frequência. Apenas uma parte deles, porém, se intensifica rápido o suficiente para receber a classificação de ciclone bomba. Esses episódios são mais frequentes sobre os oceanos e durante os meses mais frios, quando o contraste de temperatura costuma ser maior. As principais áreas de ocorrência ficam no Atlântico Norte e no Pacífico Norte, especialmente perto da costa leste da América do Norte e do Japão. No Hemisfério Sul, eles também aparecem nas grandes rotas de tempestades que atravessam o Atlântico Sul, o Índico e o Pacífico. Uma dessas áreas fica justamente entre a Argentina, o Uruguai e o oceano ao sul e a sudeste do Brasil.

El Niño influencia?

O El Niño não cria sozinho um ciclone bomba nem permite atribuir diretamente um episódio específico ao fenômeno. Ele pode, porém, alterar a circulação dos ventos e a distribuição de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Na América do Sul, episódios de El Niño costumam favorecer mais chuva no Sul do Brasil e em áreas próximas. Essas mudanças podem modificar o ambiente em que frentes frias e ciclones se desenvolvem, mas a formação de cada sistema depende das condições meteorológicas presentes naquele momento.

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