Um casal de tatu-bola (Tolypeutes matacus) foi registrado por câmeras noturnas do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) na Serra do Amolar, em Corumbá, Mato Grosso do Sul. As imagens, divulgadas nesta segunda-feira (28), mostram dois indivíduos em idade reprodutiva, confirmando a presença da espécie em uma das áreas do Pantanal mais vulneráveis às mudanças climáticas e aos incêndios florestais.
Registro inédito do tatu-bola
Segundo o IHP, a descoberta pode contribuir para novos estudos sobre o comportamento e a reprodução da espécie, além de reforçar as ações de conservação na região. O instituto mantém, há mais de dez anos, um programa de monitoramento da fauna e da flora na Serra do Amolar. Nesse período, foram registradas mais de 200 espécies de animais, das quais 10 são classificadas como vulneráveis ou ameaçadas de extinção.
Monitoramento e conservação
O tatu-bola é uma das espécies mais sensíveis às mudanças no ambiente. Atualmente, é classificado como "quase ameaçado" pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e passa por uma reavaliação que pode aumentar seu grau de ameaça. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ainda há poucos registros confirmados do tatu-bola no Brasil, e a distribuição da espécie no país é pouco conhecida.
Além do tatu-bola, o banco de dados do IHP monitora outras espécies ameaçadas, como onça-pintada, ariranha, anta, cervo-do-pantanal, tamanduá-bandeira, queixada, mutum-de-penacho, macaco-prego-do-papo-amarelo, tapiti e tatu-canastra.
Características da espécie
O tatu-bola é o menor tatu do Pantanal, pesando cerca de 1,3 quilo e medindo até 25 centímetros de comprimento. Sua principal característica é a capacidade de se enrolar completamente, formando uma esfera para se proteger de predadores — um comportamento raro entre os tatus.
Ameaças e distribuição
Ainda conforme o ICMBio, o tatu-bola é encontrado na Bolívia, no Paraguai, na Argentina e no Brasil. No território brasileiro, a espécie ocorre apenas no Pantanal, principalmente no sudoeste de Mato Grosso e no oeste de Mato Grosso do Sul. A principal ameaça ao tatu-bola é a perda de habitat causada pelo avanço da agropecuária. A espécie também sofre com a captura ilegal para consumo, criação como animal de estimação e exportação.



