O governo do Acre decretou situação de emergência na saúde devido ao aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A decisão foi oficializada nesta quinta-feira (4), após a Secretaria de Saúde do estado (Sesacre) registrar um crescimento de 35,6% nas notificações entre os dias 4 de janeiro e 30 de novembro.
Medidas adotadas
De acordo com a diretora de Atenção Primária e Vigilância em Saúde e Ambiental, Suane Souza, o decreto permitirá a ampliação da cobertura vacinal, o monitoramento diário da ocupação dos leitos hospitalares e, se necessário, a abertura de novos leitos. “Esse decreto é uma medida para que a gente consiga reforçar a nossa rede de saúde com a ampliação de leitos, fazer a contratação de profissionais e poder traçar medidas estratégicas com o apoio do Ministério da Saúde. Com isso, podemos receber mais rápido insumos e equipamentos”, explicou.
Comparativo de casos
Segundo a gestora, no ano passado, entre a semana epidemiológica 1 e 21, o estado contabilizou 1.060 casos de SRAG. No mesmo período deste ano, o número subiu para 1.438 registros, representando um aumento de 35,6%. A diretora também destacou que pelo menos quatro vírus estão circulando simultaneamente: adenovírus, rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e metapneumovírus. “É um período de atenção, pois temos em circulação esses vírus, ou seja, não se trata de influenza, mas de um conjunto de vírus e suas variantes que pode afetar a todos”, completou.
Prevenção
A Sesacre recomenda que a população adote as seguintes medidas preventivas:
- Manter a vacinação atualizada
- Evitar aglomerações
- Usar máscaras e evitar contato direto com pessoas que apresentem sintomas respiratórios
As unidades de saúde do estado oferecem imunização contra o VSR para gestantes, além da aplicação de imunoglobulina contra o vírus para bebês prematuros nascidos a partir de abril de 2026. A vacinação contra a gripe também continua disponível.
Impacto nas internações
A circulação do VSR, principal agente associado à bronquiolite, tem contribuído para o aumento das internações pediátricas no Acre. Crianças menores de 2 anos estão entre os grupos que mais necessitam de atenção, com mais de 350 notificações apenas este ano. Já entre crianças de até 9 anos e idosos acima de 60 anos, há aumento nos quadros de pneumonia e complicações respiratórias que podem exigir acompanhamento hospitalar.
Ocupação de leitos
O serviço de regulação de leitos aponta alta ocupação nas unidades de terapia intensiva e enfermarias:
- UTI Pediátrica 1: 91,9% de ocupação
- UTI Pediátrica 2: 89,2% de ocupação
- Enfermarias infantis: 87,7% de ocupação
Identificação das doenças
A Sesacre orienta a população a identificar corretamente os sintomas para buscar atendimento médico adequado:
- Resfriado: Infecção leve, com coriza, espirros, congestão nasal e tosse leve. Febre baixa, quando ocorre.
- Gripe: Causada pelo vírus Influenza, com início repentino, febre alta, dores no corpo, cansaço, dor de garganta e tosse persistente.
- Bronquiolite: Acomete bebês e crianças menores de 2 anos, com sintomas iniciais de resfriado que podem evoluir para chiado no peito, dificuldade respiratória e dificuldade para se alimentar.
Os dados foram coletados nas quatro Unidades Sentinelas para Síndrome Gripal do Acre: UPA do 2º Distrito em Rio Branco, Hospital Raimundo Chaar em Brasiléia, UPA Jacques Pereira em Cruzeiro do Sul e UBS Maria de Fatima em Plácido de Castro, além das unidades de internação para SRAG.



