Vítima arrastada por 4 km critica Justiça após novo adiamento
Vítima de atropelamento critica Justiça após adiamento de julgamento

Paula Thaís de Oliveira, vítima de um grave atropelamento em 2020, expressou sua frustração com a Justiça após o adiamento do julgamento do motorista acusado, ocorrido nesta terça-feira (16). Esta é a segunda vez que a sessão é remarcada, sem nova data definida.

O acidente aconteceu em 16 de agosto de 2020, por volta das 2h30, na QI 19 do Lago Sul, área nobre de Brasília. Paula estava na garupa de uma moto pilotada por seu então namorado, quando foram atingidos por um Volkswagen UP dirigido por Caio Ericson Ferraz Pontes de Melo, servidor comissionado do Senado. Segundo a denúncia do Ministério Público, o motorista estava embriagado e em alta velocidade.

Com o impacto, o namorado foi lançado ao chão, enquanto Paula ficou presa ao capô do veículo, sendo arrastada por aproximadamente 4 quilômetros, até a altura da QI 23. O motorista fugiu sem prestar socorro. Paula sofreu ferimentos gravíssimos: precisou amputar a mão esquerda, teve fraturas nos joelhos, ferimentos nos pés, ombros, abdômen e perdeu as duas mamas. Ela ficou 38 dias internada, sendo 10 dias na UTI do Hospital de Base.

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O adiamento do julgamento ocorreu por falta de certeza sobre a intimação de uma das vítimas, o ex-namorado de Paula. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal informou que não há previsão para nova data. Em entrevista à TV Globo, Paula desabafou: "Parece que vai prolongando, a gente fica mais ansioso, com mais medo. Hoje em dia é muito difícil confiar na Justiça."

Caio Ericson atua como assistente parlamentar no gabinete do senador Lucas Barreto (PSD-AP) e responde ao processo em liberdade. O Senado informou, em nota, que só pode afastar o servidor em caso de condenação transitada em julgado ou determinação judicial específica.

O acidente marcou a vida de Paula, que hoje é casada com João Pedro Santos, o homem que a socorreu na época. O casal tem um filho, João Tomáz. A luta por justiça continua, enquanto a vítima aguarda uma decisão que traga algum alívio após quase seis anos de espera.

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