Vereadora do RS indiciada por maus-tratos após agredir cadela com vassoura
Vereadora do RS indiciada por maus-tratos a cadela

A vereadora de Santana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, Eva Coelho Rosa, conhecida como Simplesmente Eva (PL), foi indiciada pela Polícia Civil pelo crime de maus-tratos a animais. A investigação teve início após a divulgação de um vídeo no qual a parlamentar relata ter agredido a própria cadela, Maristela, com uma vassoura e negado socorro ao animal.

Confissão e indiciamento

Segundo a delegada Giovana Muller, a vereadora confessou as agressões narradas em suas redes sociais durante depoimento prestado na quarta-feira (8). O inquérito policial foi remetido à Justiça no mesmo dia. A delegada afirmou que uma visita à casa da vereadora, acompanhada por um veterinário da prefeitura, constatou que os animais estavam bem cuidados e alimentados, não havendo sinais de maus-tratos no local. "Houve indiciamento pelos maus-tratos referidos na live e confirmados no interrogatório. Não foi pedida prisão. Laudo veterinário apontou que os animais estavam bem cuidados e alimentados", explicou Muller.

Vídeo viral e reação pública

No vídeo, que viralizou nesta semana, a vereadora aparece com um cachorro no colo e narra a agressão ocorrida durante uma transmissão ao vivo no dia 29 de junho. "Eu peguei a vassoura e grudei na cabeça da Maristela, mas grudei sem pena", disse a parlamentar. Ela ainda afirmou que a batida foi tão forte que o animal começou a convulsionar e que não prestou socorro: "Vai convulsionar até... porque eu não vou mexer um dedo. Um dedo. Tem água ali, a melhor ração, tem cama. Não presta pra nada". A ação teria sido motivada por uma briga entre a cadela e outro cão, que a vereadora alega estar separando. "Não me interessa de maus-tratos. Maus-tratos sou eu que estou botando os ‘bofe’ pra fora pra apartar a briga", falou Eva.

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Defesa alega estado emocional

A defesa da vereadora, representada pela advogada Mônica Llillielli Rivero Coelho, emitiu nota afirmando que "as declarações proferidas durante a live decorreram do estado de nervosismo e exaltação vivenciado naquele momento, razão pela qual não retratam, necessariamente, de forma precisa, a dinâmica dos fatos". A advogada também manifestou "sincero arrependimento pelas palavras utilizadas durante a transmissão ao vivo". A defesa acrescentou que, após o ocorrido, a cadela Maristela foi submetida a avaliação veterinária e que as condições dos animais foram analisadas pelos órgãos competentes.

Nota de repúdio e posição da Câmara

A Associação Santanense de Proteção aos Animais (Aspa) publicou nota de repúdio, afirmando que "o conteúdo divulgado publicamente apresenta elementos que justificam a atuação das autoridades responsáveis, especialmente para verificar as circunstâncias narradas, o estado de saúde dos animais envolvidos e a eventual ocorrência de maus-tratos". O presidente da Câmara Municipal de Santana do Livramento, Antonio Zenoir, informou que "a apuração dos fatos relatados, bem como a eventual responsabilização dos envolvidos, é matéria que compete às autoridades e instâncias próprias" e que, até o momento, não foi recebida nenhuma denúncia ou requerimento formal sobre o caso.

Desdobramentos legais

A vereadora segue em liberdade, mas responde ao processo criminal. A defesa informou que não serão realizadas novas manifestações públicas sobre o mérito, e que todos os esclarecimentos serão prestados exclusivamente pelas vias legais. O caso continua sendo acompanhado pela sociedade civil e pelas autoridades competentes.

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