Trader prometia lucros de até 10% ao mês; Justiça mantém prisão de 11 suspeitos
Trader prometia lucros de 10% ao mês; Justiça mantém prisão

A Justiça manteve, neste sábado (11), a prisão temporária do trader Douglas Fonseca Araújo e mais 10 suspeitos de estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi tomada durante a audiência de custódia dos investigados. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.

Investigação aponta mais de 70 vítimas e R$ 100 milhões movimentados

Douglas é suspeito de chefiar a organização criminosa que, de acordo com o delegado Roni Silveira, da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, fez mais de 70 vítimas e movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos. Ele se apresentava como um trader reconhecido a nível internacional, com mais de 14 anos no mercado financeiro, e usava a promessa de lucros mensais de até 10% para atrair investidores, segundo a SSP-PI.

“O grupo atuava basicamente na promessa de investimentos no mercado de capitais. Fazia seus anúncios, especialmente nas redes sociais, mostrando valores exorbitantes que podiam chegar a 10% de maneira mensal. Para quem sabe minimamente ou até mesmo não conhece, sabe que esses valores são impossíveis de serem alcançados com regularidade. Eventualmente pode ser possível. Mas com regularidade é impossível”, disse Roni Silveira durante coletiva de imprensa.

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Transferência dos presos e foragidos

A informação foi confirmada pelo advogado Djalma Filho, que representa Douglas Fonseca e Ícaro Teixeira de Sousa, também investigado. Eles e outros cinco homens, que não tiveram a identidade confirmada pela polícia, foram transferidos para a Cadeia Pública de Altos. Já as quatro mulheres investigadas, que também não tiveram a identidade confirmada, foram levadas para a Penitenciária Feminina de Teresina.

Até a coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (10), pela Secretaria de Segurança Pública, 10 pessoas haviam sido presas e duas estavam foragidas. Uma delas, contudo, se apresentou à polícia posteriormente, ainda na sexta.

Modelo de atuação do grupo

Ainda segundo o delegado, embora se apresentassem como atuantes no mercado, os principais registros do DF Group não possuíam mais de dois anos. “As vítimas faziam um aporte financeiro com eles. O modelo que eles utilizavam, de arrecadação de valores através das vítimas, dava a entender que a aplicação era feita diretamente, que o DF era um grupo financeiro, um grupo de aplicação, quando na verdade não era. Era uma empresa apenas para atrair as pessoas. Não tinha aquela validação junto à Comissão de Valores Mobiliários”, explicou.

“Diante disso, percebeu-se uma bolha de pequenos investimentos. As pessoas foram injetando seu dinheiro e aos poucos, chega um ponto que eles não conseguem mais pagar. O pagamento era via captação de novos recursos. Chega um ponto que os recursos acabam, é óbvio”, completou.

Roni Silveira destacou que Douglas exibia uma vida de ostentação nas redes sociais no intuito de atrair novas vítimas. “Há algum tempo começou a chamar nossa atenção a ostentação do Douglas, que é o principal investigado, o chefe de toda a estrutura”, concluiu.

Polícia espera novas vítimas

Durante coletiva de imprensa na sexta, o superintendente de operações integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, destacou que novas denúncias são apuradas após a repercussão da operação. “Nós verificamos que tem muitas vítimas que ainda não registraram Boletim de Ocorrência, com a falsa promessa ou acreditando que o Douglas ia fazer o pagamento. Então eu peço para que essas pessoas que foram vítimas, registrem Boletim de Ocorrência”.

“Depois da publicação dessa operação, várias vítimas já entraram em contato e devem vir registrar o Boletim de Ocorrência nas próximas horas”, afirmou.

Denúncias podem ser feitas por meio do BO Fácil, plataforma digital da SSP-PI, que funciona pelo WhatsApp. O serviço é gratuito, funciona 24 horas e pode ser acessado pelo número 0800 086 0190. Registros também seguem sendo realizados em qualquer delegacia de Polícia Civil. A Superintendência de Defesa e Proteção do Consumidor (Sudecon), órgão vinculado à SSP-PI também está recebendo vítimas.

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Apreensões e próximos passos

Durante a operação, foram apreendidos 11 veículos, incluindo carros de luxo, armas de fogo, documentos e objetos como relógios e joias dos investigados. Além disso, foi interditado um escritório que, de acordo com as investigações, era utilizado pelos suspeitos para a prática de atividades criminosas. Contratos e outros documentos apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão passarão por análise com a finalidade de auxiliar no avanço das investigações, identificar outros envolvidos nos crimes e localizar novas vítimas.