TJMG suspende obras no complexo esportivo do Granbery em Juiz de Fora
TJMG suspende obras no complexo esportivo do Granbery

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) concedeu liminar suspendendo as obras no complexo esportivo do Instituto Metodista Granbery, em Juiz de Fora. A decisão, de 3 de junho de 2025, impede a empresa Soip Negócios Imobiliários Ltda. de realizar intervenções no local até o julgamento final da Ação Civil Pública movida pela Associação de Moradores do Bairro Granbery.

Entenda a decisão judicial

Na liminar, o desembargador Carlos Augusto de Barros Levenhagen considerou que a execução do empreendimento pode comprometer áreas protegidas pelo tombamento municipal e gerar impactos permanentes sobre o patrimônio histórico, esportivo e cultural do complexo. Ele destacou que uma eventual intervenção antes da conclusão do julgamento poderia tornar ineficaz uma futura decisão judicial favorável à preservação integral da área.

A Ação Civil Pública contesta o entendimento do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conpas) sobre a compatibilidade do projeto imobiliário com o tombamento. O município de Juiz de Fora e a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) também são partes no processo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O que está protegido pelo tombamento

O Decreto Municipal nº 16.754/2024 tombou as seguintes estruturas do complexo esportivo: Edifício Charles Alexander Long, parque aquático, quadras poliesportivas, ginásio, campo de futebol e bosque. Além das edificações, o decreto reconhece o valor histórico, cultural e afetivo do espaço para a comunidade granberyense e ex-alunos.

Segundo o TJMG, a preservação busca proteger não apenas o patrimônio material, mas também os vínculos históricos e de pertencimento associados ao local.

Histórico do leilão e do projeto

A área remanescente do antigo Instituto Metodista Granbery foi leiloada em abril de 2025 e arrematada pela Soip Negócios Imobiliários Ltda. por R$ 18 milhões. A venda integra o processo de recuperação judicial da instituição. O projeto prevê a construção de duas torres residenciais e garagens no complexo esportivo.

Em maio de 2024, outra parte do conjunto de imóveis do Colégio Granbery foi leiloada por R$ 61,5 milhões para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que adquiriu o prédio histórico, dois anexos e parte do Centro de Educação Física e Esportes (CEF), em uma área de aproximadamente 17 mil m², onde hoje funciona a Escola Sesi.

Posicionamento da empresa e da prefeitura

Em nota, a Soip Negócios Imobiliários afirmou que "não há qualquer obra irregular em andamento no terreno" e que as atividades atuais "restringem-se, exclusivamente, ao cuidadoso restauro do edifício Charles Alexander Long, bem tombado em sua integralidade pelo decreto de 2024". A empresa acrescentou que "a suspensão temporária é uma medida processual natural, cujo objetivo é garantir que a empresa seja ouvida nos autos antes de qualquer deliberação definitiva".

A Prefeitura de Juiz de Fora informou que foi notificada da decisão judicial. O g1 tenta contato com os advogados da Associação de Moradores do bairro.

Detalhes do projeto e tramitação

Segundo a Soip, o projeto arquitetônico do complexo de uso misto foi desenvolvido a partir das diretrizes do decreto de tombamento. Entre maio e agosto de 2025, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (COMPPAC) analisou a proposta em quatro reuniões ordinárias, emitindo parecer favorável por maioria absoluta de 9 votos a 3. A empresa contratou um escritório de arquitetura especializado em patrimônio histórico para o restauro.

A Soip defende que o empreendimento "transformará uma área antes privada e inacessível em um motor de convivência, cultura, esporte e lazer para toda a comunidade", conciliando desenvolvimento urbano, preservação histórica e uso coletivo dos espaços.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar