O Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol de Mato Grosso (TJD-MT) arquivou, por unanimidade, nesta quinta-feira, em Cuiabá, o inquérito que investigava suspeitas de manipulação de resultados na Segunda Divisão do Campeonato Mato-grossense. O processo tinha como denunciado Alexsandro de Melo Silva, presidente do Clube Campo Novo, enquadrado, em tese, nos artigos 242 e 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
Decisão unânime e falta de provas
Os auditores acompanharam o voto do relator e entenderam que as provas produzidas durante a investigação não foram suficientes para caracterizar infração disciplinar. Com isso, determinaram o arquivamento do inquérito. Na mesma decisão, o Tribunal determinou o envio de cópia integral dos autos ao Ministério Público Estadual (MPE), que poderá analisar os fatos no âmbito de sua competência. O TJD também registrou que o procedimento poderá ser reaberto caso surjam novas provas.
Manifestações das partes envolvidas
O presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), Diogo Pécora, disse que a entidade comunicou os fatos ao Tribunal assim que recebeu as informações. "Assim que nós tomamos conhecimento de que estava havendo a possibilidade de qualquer tipo de manipulação em partidas do campeonato, nós tomamos todas as providências cabíveis, inclusive com a formalização disso ao Tribunal", afirmou.
O ge entrou em contato com o presidente do Campo Novo, Alexsandro de Melo Silva, que negou qualquer participação em manipulação de resultados. "O Campo Novo não compactua com esquema de aposta. Não fizemos aliciamento de ninguém", declarou. O dirigente também comentou o trabalho desenvolvido pelo clube: "Tem dez anos que trabalho aqui. É um trabalho limpo, projeto social, formação de atleta, formação de cidadão. Vou fazer dez anos e, graças a Deus, a minha conduta é limpa".
Entenda o caso
A investigação teve início após a Federação Mato-grossense de Futebol encaminhar ao TJD-MT um ofício do Santa Cruz, um boletim de ocorrência e o relatório do delegado da partida entre Sorriso e Campo Novo. Segundo os documentos, Alexsandro de Melo Silva teria informado que jogadores do Campo Novo estariam sendo pressionados por pessoas ligadas a apostas esportivas para manipular resultados de partidas.
Durante a instrução do inquérito, o presidente do Santa Cruz, Ciro Campos Figueiredo Júnior, declarou que recebeu ligações antes de uma partida contra o Campo Novo propondo que sua equipe perdesse o jogo. Segundo o depoimento, teriam sido oferecidos entre R$ 7 mil e R$ 8 mil ao dirigente e R$ 5 mil ao treinador da equipe. Ele informou que recusou a proposta, comunicou os atletas e registrou boletim de ocorrência.
Com base nos documentos e depoimentos, a Procuradoria da Justiça Desportiva apontou, em tese, possíveis infrações relacionadas à manipulação de resultados, fraude desportiva, corrupção no esporte e eventual omissão de pessoas que tivessem conhecimento dos fatos. Ao final da instrução, o Tribunal concluiu que as provas reunidas não eram suficientes para responsabilização disciplinar, determinando o arquivamento do inquérito e o envio dos autos ao Ministério Público Estadual.



